Em tempos, escrevi um artigo sobre o pão no qual abordei uma questão associada à ingestão de glúten, dizendo que o mesmo não conferia um risco para a saúde, a não ser que esteja efetivamente diagnosticada uma patologia que impeça o seu consumo, nomeadamente a doença celíaca ou a intolerância alimentar ao glúten não celíaca.

Afinal, de que intolerância estamos a falar? A intolerância ao glúten não celíaca é definida como uma síndrome caracterizada por sintomas intestinais e extraintestinais decorrentes da ingestão de alimentos com glúten em indivíduos não celíacos, sendo a sua prevalência mundial inferior a 1%.

Muito se tem vindo a falar sobre esta temática pela discórdia que tem gerado quanto às causas destes sintomas, uma vez que os cereais e os grãos contêm outras proteínas não associadas ao glúten que causam a digestão incompleta dos seus nutrientes e irritam a mucosa intestinal, levando ao surgimento de sintomas semelhantes, como inchaço, flatulência, dor, obstipação, diarreia, entre outros.

Logicamente, estas situações são amenizadas quando o glúten deixa de existir na alimentação, mas a ideia de que estes sintomas se associam a diversos alergénios contidos nos cereais e não somente ao glúten ou só ao glúten, tem vindo a ganhar forma.

Um exemplo disso são os FODMAP’s, que são hidratos de carbono fermentáveis presentes em vários alimentos (cebola, alho, couves, milho, cogumelos, laticínios, maçã, leguminosas, mel, pastilhas elásticas…), que incluem oligossacáridos (frutanos e galactanos), dissacáridos (lactose), monossacáridos (frutose) e polióis.

Assim, é a exposição frequente a este conjunto de alimentos na alimentação que causam estes sintomas, sendo mais comuns em indivíduos portadores de doenças inflamatórias intestinais.

Posto isto, a intervenção nutricional para a anulação total destes sintomas passa pela redução do consumo de farináceos em geral (com e sem glúten) e de FODMAP’s e por privilegiar o consumo de alimentos naturais sem qualquer tipo de aditivos.

 

Alimentos com alto teor de FODMAP’s (a evitar) Alimentos com baixo teor de FODMAP’s (a consumir)
Cereais e derivados milho, pães contendo trigo ou centeio, cereais à base de trigo, pizza, biscoitos à base de trigo e centeio, produtos de pastelaria… pão sem glúten, aveia, massa sem glúten, arroz, quinoa, espelta, millet, biscoitos sem glúten, bolachas de arroz…
Hortícolas espargos, alcachofras, cebola, alho, beterraba, couve lombarda, aipo… espinafres, feijão-verde, cenoura, pimento, ervas aromáticas, couve-chinesa, pepino, alface, tomate, courgette, beringela…
Fruta maçã, pera, manga, melancia, nectarina, pêssego, ameixa… banana, laranja, tangerina, uvas, melão, kiwi, morangos, framboesas, maracujá, ananás…
Laticínios leite, iogurte, queijo fresco, natas, gelados… leite sem lactose, iogurte sem lactose, queijo duro, bebida vegetal de arroz/aveia/amêndoa…
Proteínas lentilhas, grão-de-bico, ervilhas, feijão… carne, peixe, tofu, tempeh…
Frutos secos e sementes pistácio, caju… amêndoa, amendoim, noz, sementes de abóbora…

 

 

Carina Ferreira

Nutricionista C.P. nº2984N