O Bussaco foi tema de destaque na Assembleia Municipal da Mealhada, que se realizou na noite da passada segunda-feira. O Bloco de Esquerda focou o discurso no «estado de degradação e abandono da Mata Nacional do Bussaco», o que aliás tem vindo a fazer através de comunicados nas redes sociais. Sobre o assunto também dois munícipes lamentaram «o estado de desgraça em que caiu o Buçaco». Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, recordou os investimentos feitos nos últimos anos, dando a conhecer os que em breve estarão em curso, tais como a recuperação das Ermidas, o Challet de Santa Teresa e as Garagens do Palace. Para o autarca os quatro ciclones dos últimos meses e agora a pandemia tornam «o trabalho difícil».

Ana Luzia Cruz, com assento no órgão eleita pelo Bloco de Esquerda, começou por dizer que «quando a entidade que gere (a Mata) não faz o seu papel, há que interpelar o Governo, que deveria ser o primeiro interessado em repor ordem no que se passa no Bussaco até para o seu próprio bom nome». «Os fenómenos climáticos trágicos não podem continuar a ser eternamente a desculpa para nada fazer, pois recordamos que já em 2013 existia um plano pós Gong, para a adaptação da Mata a esses fenómenos», continuou a deputada enumerando, entre outras coisas, que «a Mata está a tornar-se num acacial» e ainda, por exemplo, que «a porta da Fonte da Cascata está escavacada e a cair» e que «das fontes nem se sabe que água brota, se é potável ou não, pois não têm qualquer indicação».

«Outrora, a Mata do Bussaco dava lugar a projetos de reinserção social, falamos da brigada de reclusos com cinco a oito elementos que custavam mensalmente (em média) 3000 euros à Fundação e que lá trabalhavam a tempo inteiro. Neste momento, esse tipo de projetos foi abandonado para se estar a pagar um salário, por exemplo, na área de consultoria de comunicação de 2500 euros mensais», continuou a deputada, concluindo: «São onze anos de Fundação e o resultado está à vista».

Na sessão, Rui Marqueiro recordou que «a Mata é um Monumento Nacional e que o Governo Central devia tomar conta dele», enfatizando que na história do Bussaco há registo de «um grande ciclone em 1941, outro em 2013, um depois em 2018 e, entre final de 2019 / início de 2020 tivemos quatro». «Compreendo e aceito que nem tudo está bem, mas é preciso dizer-se que, em tempos passados, quando a Mata era melhor tratada tinha oito guardas florestais e cada um contratava os seus assalariados. Chegaram a andar aqui 150 assalariados!», disse o autarca, desvendando que «a Fundação deve estar a faturar um quinto do que faturou em 2019». «Em 2020 o exercício vai ser desequilibrado e se a pandemia não for embora vai ser difícil», lamentou.

Em resposta à deputada Ana Luzia, o presidente da Câmara da Mealhada garantiu que foi feita «uma candidatura para combater o acacial, dentro e fora da Mata, que não foi aprovada». Para além disso, diz, «quando entrei para a Câmara não havia planos de recuperação e nem de combate a incêndios, inclusivamente chovia dentro do Convento de Santa Cruz». O autarca afiançou «não ser verdade que, atualmente, haja dinheiro a ser gasto na área da consultadoria de comunicação» e que, relativamente, aos trabalhadores do estabelecimento prisional de Coimbra «houve alguns movimentos suspeitos, relacionados com drogas, tendo sido decidido prescindir desse serviço».

Rui Marqueiro concluiu ainda existir «investimento feito», nomeadamente com sinalética e edificado, «constantemente alvo da falta de civismo das pessoas» e que é preciso «não esquecer a renovação feita, recentemente, no Convento Santa Cruz e nas Capelas da Via Sacra», pontos fortes de atração turística.

 

Mónica Sofia Lopes