O lusense Nuno Alegre apresentou a sua obra «Bussaco vs Buçaco», na tarde de ontem, através da plataforma zoom, numa sessão onde estiveram cerca de duas dezenas de amigos(as) do autor, bem como autarcas dos concelhos da Mealhada e de Anadia. Depois de «De Luso – antiguidade googalizada», o segundo livro destaca diversos temas e pessoas importantes para a história das localidades do Buçaco, Luso e da Vacariça, para além do lado etimológico das palavras Bussaco ou Buçaco.

Em mais de duas centenas de páginas, Nuno Alegre agrega diversos conhecimentos, muitos deles provenientes do seu pai – Manuel Rosa Alegre – falecido a 1 de janeiro deste ano, onde se destacam temas como «Dados etimológicos conhecidos sobre o Bussaco», «Falemos de Luso sem ter medo da Lusitânia», «Luso de Costa Simões», «Fale-se sobre a Vacariça», «As ermidas do Adernal do Bussaco», «A Fonte de S. João», «Histórica fotográfica do Convento e do Palace do Bussaco», «Algumas das fotos do meu acervo» e ainda um capítulo intitulado «Dossiers Incómodos».

Mas o mote para o livro parte do interesse das pessoas pela forma como se escreve «Bussaco ou Buçaco», garante o autor que diz responder sempre: «Eu escrevo de ambas as maneiras, mas com maior incidência na utilização dos dois “esses”, uma vez que escrevo muitos emails em línguas diferentes do Português e nessas línguas o “cê” com cedilha não existe!».

Tal como no primeiro livro, apresentado em 2015, Nuno Castela Canilho foi também, no segundo, o responsável por desvendar algumas das temáticas. «Não há responsabilidade maior que a de se ser cidadão e este livro é isso mesmo, uma marca de cidadania», declarou, agradecendo a compilação «do vasto conjunto de informação». «Todos os livros de historiografia locais são muito importantes no futuro e representam um serviço público muito interessante», enalteceu.

Mas para Nuno Canilho, dois pontos motivadores da obra são, por um lado, «o facto de conterem assuntos que podem vir a originar outros livros» – como por exemplo, Fonte São João, Hotel Alegre e família «Graciosa» – e, por outro, «ser um livro que se pretende “estoirado” e remexido, que deixa pistas para voltarmos sempre». «Fiquei absolutamente apaixonado pela ideia do acervo de fotografias do Convento e do Palace e, no capítulo dos “Dossiers incómodos”, vem-me à memória a guerra da água em 1984/85, em que se colocou a hipótese de canalizar a água da Fonte de São João para abastecimento domiciliário na Mealhada. Essa história devia ser escrita com os intervenientes ainda vivos», acrescentou.

O livro pode ser comprado nas papelarias Chafariz (na Mealhada) e São João (no Luso) e o autor tenciona, numa segunda edição da obra, que seja também publicada em inglês. «Foi-me pedido que me preocupasse com os turistas estrangeiros», disse Nuno Alegre, garantindo que os dois livros já editados «são uma grande provocação para outras pessoas transmitirem também os seus conhecimentos».

 

Mónica Sofia Lopes