A aquisição, por parte do Município da Mealhada, de material informático, devido ao ensino à distância, e na área da saúde para ajuda ao combate à pandemia Covid-19 foram assuntos dominantes na Assembleia Municipal da Mealhada, que se realizou, por videoconferência, na manhã deste sábado, 2 de maio.

«Para já não é aconselhado pela Direção Geral da Saúde, mas quando nos for permitido comprar 20 mil testes, rastrearemos toda a população», declarou Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, garantindo que, através de um protocolo com a ARS do Centro, «cada teste fica a 20 euros». «Se tivermos que investir 400 mil euros, faremos isso sem qualquer problema!», disse.

O autarca referiu ainda que, no início da pandemia, «o Município começou por comprar testes serológicos» que ajudaram a perceber junto das IPSS, dos Bombeiros, GNR e de alguns corpos sociais «se a pandemia nos estava a atacar com muita força». «Nessa altura, tivemos muito poucos resultados positivos ou duvidosos, que foram remetidos para o teste da zaragatoa e dos quais resultaram dois casos positivos, sem necessidade de internamento», referiu o presidente da Câmara, informando que «aguardam nova encomenda» para repetir os testes às mesmas entidades.

Também através da central de compras da CIM-Região de Coimbra, o Município adquiriu «gel, máscaras e viseiras» e tem preparado um hospital de campanha, para uma eventual necessidade de acolher utentes por covid-19, bem como a disponibilidade de hotéis para assegurar a permanência de pessoas sem o coronavírus, no caso de uma IPSS ser afetada e for preciso dividir utentes.

Acerca da aquisição de 50 computadores, assim como routers e webcams, por parte do Município para que o Agrupamento da Escolas da Mealhada fizesse chegar o material aos alunos que não possuíssem esse material, o número foi no sábado atualizado pelo edil para 80. Mas Ana Luzia Cruz, deputada eleita pelo Bloco de Esquerda, revelou «existirem ainda crianças e jovens sem computador». «Muitos partilham o material com os irmãos, nalguns casos a rede de internet é fraca e em outros nem dinheiro há para a pagar», disse.

Em resposta, o presidente da Câmara da Mealhada declarou que o material foi sempre adquirido mediante informação do diretor do Agrupamento. «Até ao momento o Município comprou 80 computadores e já tive informação de que, entretanto, o Agrupamento, adquiriu mais 27». «Se forem precisos mais, que nos digam!», enfatizou.

Também Pedro Semedo, deputado da coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada», e um dos professores envolvidos no processo de preparação do material informático, começou por dizer que «ninguém estava preparado para isto» e que «o primeiro impacto foi brutal», com a necessidade de se trabalhar 14 a 16 horas para se colocar no terreno todo o material adaptado. «O inquérito foi lançado e alguns pais nunca nos responderam, muito possivelmente aqueles que mais precisavam. Tivemos até uma encarregada de educação que só soube que a filha necessitava de um computador quando viu nos jornais que o material estava a ser disponibilizado», lamentou o deputado, questionando a proveniência da verba para a aquisição do material.

Rui Marqueiro garantiu que «o dinheiro sai do orçamento municipal», já que as verbas transferidas pelo Ministério da Educação, por força do contrato interadministrativo existente, têm como destino a Autarquia.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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