Cerca de duas dezenas de pessoas manifestaram-se, ao início da tarde da passada sexta-feira, 7 de fevereiro, contra o encerramento do balcão da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo na vila da Pampilhosa que, ao que tudo indica, acontecerá até ao final do mês de fevereiro. O encontro, promovido pela Junta de Freguesia da Pampilhosa, serviu para entrega de uma declaração, a quem por ali se juntou, onde a referida autarquia lamenta a situação, acusando a dependência bancária “de só olhar para os ‘números’”.

“Nesta agência, para além dos depósitos, levantamentos, caixa de multibanco e mais uns quantos serviços bancários; são pagos impostos, como os da Segurança Social, de empresas que operam na freguesia; é recebido os pagamentos da água da Câmara da Mealhada; são pagas pensões de velhice e outras a vários clientes, muitos deles com dificuldades de mobilidade”, começou por lamentar Rosalina Nogueira, presidente da Junta de Freguesia da Pampilhosa, garantindo que a referida agência “angariou, ‘per si’ e por interpostas pessoas, novos clientes aquando do encerramento do Santander Totta em 2018, o que a fez crescer”, afiançando ainda que, neste momento, a dependência bancária tem clientes não só da Pampilhosa, mas também do Luso, União de Freguesias de Souselas e Botão, Vacariça e Carqueijo.

Um encerramento que fregueses e empresários lamentam. “Vai ser um grande transtorno para o meu negócio e vou perder mais tempo a ter que ir para a Mealhada”, referiu, ao nosso jornal, Sandra Portelinha, proprietária de uma agência de seguros na vila pampilhosense, garantindo que a dependência bancária resolvia muitos dos seus problemas e era onde obtinha esclarecimentos, ao nível profissional, mas também pessoal. “Muitos dos meus clientes, depois do Santander fechar, abriram conta no Crédito Agrícola”, rematou.

Ontem, para além de entregar uma declaração contra o encerramento do balcão à população e clientes do banco, que ali se deslocaram à hora do almoço, Rosalina Nogueira entrou na dependência bancária e teve o mesmo procedimento para com o gerente da agência. “Agora vou fazer uma exposição à Câmara para diligenciar esforços para que seja aberta na nossa vila uma dependência bancária. Não nos podemos esquecer que a nossa freguesia tem seis mil habitantes e, destes, três mil são eleitores”, continuou a presidente da Junta da Pampilhosa, que, ontem, contou também com o apoio do presidente da Junta da Vacariça, Ricardo Ferreira.

“Sendo a nossa freguesia a que tem mais associações em todo o concelho da Mealhada, será um transtorno muito grande pois estão habituadas a tratar de vários assuntos nesta agência”, disse ainda Rosalina Nogueira que, enquanto cliente particular, garante que “no dia de encerramento desta agência, entregarei o meu cartão de cliente e encerrarei a minha conta na Caixa de Crédito Agrícola Mutua”.

Outra das preocupações da população é a possibilidade de deixar de haver a caixa de multibanco (de uma outra instituição bancária) que está instalada no posto de combustível Alves Bandeira. “Se isso for verdade, ficamos sem caixas por toda a Pampilhosa”, deixou o ar um dos munícipes da freguesia que, na passada sexta-feira, se juntou à “luta” pelo não encerramento do balcão, que opera na vila há vinte e cinco anos.

 

Término do contrato dita fim da agência

Ao Diário de Coimbra (edição de sábado, 8 de fevereiro), João Peres, do conselho de administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Bairrada e Aguieira, confirma o fecho do serviço: “O contrato com o senhorio do prédio vai terminar e fomos avisados que teríamos que sair”.

“Tínhamos um contrato de catorze anos que terminou e em que nos foi pedido a desocupação do espaço. A alternativa que tivemos foi a de sair de um espaço, onde ainda recentemente gastamos muito dinheiro em obras”, lamentou João Peres, explicando que ir para um novo local significaria “gastar outro tanto em obras de adaptação, fachadas, normas de segurança, etc.”.

Para além disso, o representante do conselho de administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Bairrada e Aguieira explica, ao mesmo jornal, que o balcão da Pampilhosa “não gera grande rentabilidade” e não pode ser comparado ao de Barcouço, “que tem mais movimento e o prédio é nossa propriedade”.

Sobre os três funcionários da agência na Pampilhosa, João Peres afiança que “serão reintegrados em outros balcões” e manifesta disponibilidade “para que a caixa de multibanco (depois do término do contrato) possa continuar a funcionar em outro local”. “Muitos dos assuntos importantes, já se tratam por esta via”, disse ainda.

 

 

Mónica Sofia Lopes