“Pessoas, empresas e administração pública”. São estes os pilares da estratégia do Governo para a transição digital. Quem o disse, na tarde de ontem, 29 janeiro 2020, foi Pedro Siza Vieira, Ministro da Economia e Transição Digital, através de uma emissão em “livestream” para sete cidades portuguesas, na qual se incluiu a de Anadia. O momento aconteceu aquando da iniciativa “Building the Future”, o maior evento português de tecnologia e transformação digital da

Para Pedro Siza Vieira “o mais importante em todo o ciclo de vida são as pessoas”, reconhecendo, contudo, que o mercado português “tem insuficiência de pessoas no setor das tecnologias da informação e comunicação” e defendendo que “a transformação digital tornar-nos-á uma sociedade mais desenvolvida e altamente produtiva”.

Para o Ministro da Economia e Transição Digital, a sociedade tem que se adaptar à nova era digital. “As escolas continuam a trabalhar como no século XIX, com as mesmas matérias de há 20 anos e para um público de 25 alunos”, lamentou, acrescentando que “os jovens devem estar preparados para os empregos dos próximos 30 anos que, neste momento, nem existem ainda”.

Vasco Rodrigues, da Microsoft, garantiu também “estarmos perante a quarta revolução industrial”. “No novo mundo de hoje temos um acesso enorme à informação e redes gigantes interativas que originam a necessidade de uma transformação digital”, referiu, enumerando algumas mais-valias da cultura digital, nomeadamente, “a flexibilidade do horário laboral; e o facto de os trabalhos não terem uma secretária fixa para cada trabalhador, uma vez que mesmo funcionário pode trabalhar no escritório, em casa ou no outro lado do mundo”.

Da Randstad Portugal esteve representado no evento de ontem, que decorreu no Cineteatro de Anadia, David Ferreira, que, na ocasião, fez uma “radiografia” ao distrito de Aveiro. “Estamos perante um distrito com grande investimento na indústria e onde, à data, existem 18 mil desempregados com maior expressão em áreas não qualificadas, como o sector das limpezas e do comércio”, começou por explicar, perspetivando que sejam criados nos próximos tempos “mais 700 postos de trabalho” e alertando para “o estímulo da natalidade que tem que haver”.

Num futuro que garante “ser das pessoas e das organizações”, David Ferreira defendeu que “é preciso ‘transformar’ as pessoas e tirar partido da eficiência do sector de trabalho, através de plataformas, aplicações e tecnologias”. “No centro de tudo estão as pessoas”, enfatizou, garantindo que o futuro passa “por otimizar a vida das pessoas; reduzir o horário o laboral; obter uma maior rapidez de resposta nos sectores de atividade”. “Nunca nos podemos esquecer que as pessoas são o mais importante em todas as organizações”, concluiu.

Também Teresa Cardoso, presidente da Câmara de Anadia, afirmou que “os novos paradigmas fazem-nos estar permanentemente atentos e atualizados”, nomeadamente, no que toca “à desburocratização dos processos e informação à distância de um clique”, bem como, “disponibilização de serviços e aperfeiçoamento do atendimento online”.

Fernando Castro, presidente da direção da Associação Industrial do Distrito de Aveiro, agradeceu a descentralização do evento. “Obrigado por nos terem vindo ouvir à província, onde se trabalha muito e se quer progredir”, rematou.

 

Mónica Sofia Lopes