É um espaço ambiental, educacional e ecoturístico que está, desde 2016, a ser alvo de um plano de ordenamento e reflorestação com espécies nativas, muitas delas em vias de extinção em alguns locais europeus. Ali, incrementa-se a importância da biodiversidade e sua preservação, numa lógica de contribuição para a sustentabilidade ambiental, um trabalho realizado por Sónia e Paulo Nabais (e mais uma mão cheia de voluntários), da Living Place, cujos frutos serão visíveis, daqui a alguns anos, pelas gerações vindouras. Chama-se Eco Quinta Villa Maria, situa-se na Pampilhosa, no concelho da Mealhada, e é fácil encantarmo-nos por ela, até porque ali “tudo o que é feito, é feito com amor”.

Estamos na Pampilhosa, num extremo do rio Cértima, um espaço que durante muitos anos esteve ao “abandono” e que foram os próprios proprietários, conhecendo o trabalho feito pela empresa de animação turística Living Place, a “entregarem”, por dezenas de anos, a Villa Maria à gestão de Sónia e Paulo Nabais. Ela com 49 anos e ele com 55, com vidas profissionais ligadas à área administrativa e à banca, há muitos anos perceberam que não era isso que os preenchia. Mudaram de vida e assim nasce a Living Place, a mentora da Eco Quinta Villa Maria.

A pequena grade improvisada abre os “portões” para esta quinta possuidora de uma área de cerca de cinco hectares, onde os caminhos foram delineados com reaproveitamento de madeiras das árvores que caíram com a tempestade Leslie. “Tudo o que caiu, não saiu daqui e foi reaproveitado”, explica-nos, com aquele brilho no olhar de quem gosta do que fala, Paulo Nabais.

No local há um pouco de tudo: um louriçal centenário, plantado de origem, composto maioritariamente por loureiros e onde quase não há intervenção humana para proteção das espécies; gerbadeiras, uma espécie em vias de extinção em alguns locais da Europa; carvalho – cerquinho; abrigos para passarinhos e para morcegos; espaços de lazer e refeições; local próprio para a separação do lixo; um prado sequeiro; e até há lugar para uma eco casa de banho. Tudo é pensado ao pormenor. “Este tronco, por exemplo, olhamos e achamos que está aqui sem efeito, mas o que estamos a fazer é a preservá-lo com o intuito de que possa vir a ser abrigo de uma espécie de escaravelho chamado de ‘vaca loura’, que coloca os ovos na parte de baixo do tronco”, explica Sónia Nabais.

“Este local é uma floresta, um bosque, e só faz sentido com animais e espécies”, enfatiza a ex-administrativa no setor da contabilidade, enquanto nos mostra um compostor natural e uma micro-horta, onde, por esta altura, estão plantadas alfaces e rabanetes. Fruta também não falta: “Temos limoeiro, laranjeiras, anoneira, cerejeira e ameixeira”.

“Em breve queremos fazer um espaço zen no bambuzal”, conta ainda Sónia Nabais, dirigindo-se para o Tanque dos Amores, que contém água proveniente de uma mina natural e que, neste momento, está a ser alvo de plantação de espécies para combater o grande número de invasoras que ali existem. Um trabalho monitorizado por um biólogo.

Também em 2018, fruto de um intercâmbio de voluntariado internacional, a Villa Maria recebeu duas dezenas de jovens oriundos de vários pontos do mundo. Nessa altura, foi construído o “‘Charco Villa Forest’, um charco autónomo, que não tem nenhuma lona por baixo” e que está ser estudado pelo projeto “Charcas de Noé”, da Universidade de Coimbra. “O nível de biodiversidade na quinta aumentou muito”, acrescenta Paulo Nabais, referindo-se à cobra d’água e a espécies de plantas que estão na lista vermelha de extinção e que ali, na Pampilhosa, “estão (totalmente) protegidas”.

 

2020 traz à Villa Maria, na Páscoa, um ECO Camp para crianças

“Queremos que este seja um espaço, calmo e repleto de privacidade, cada vez mais visitável, onde as pessoas – crianças, casais, trabalhadores de empresa, etc. – possam plantar uma árvore ao mesmo tempo que comem a fruta que apanham da árvore”, explica Paulo Nabais sobre a Eco Quinta Villa Maria, onde desde 2014 já foram plantadas mais de um milhar de árvores.

Só no ano transato passaram por aquele local cerca de meio milhar de pessoas, maioritariamente crianças, mas também visitantes ligados ao voluntariado jovem e animal. “Este é um espaço que, contudo, queremos preservar, e, por isso, colocamos um limite mensal de visitantes para que o solo se possa regenerar”, explicam Sónia e Paulo Nabais, gerentes do bosque situado na Pampilhosa.

Para 2020, muitos já são os projetos previstos, nomeadamente, a passagem pela Eco Quinta do II Trail Solidário dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa, que se realiza a 22 de março; e a realização de um ECO Camp | Férias da Páscoa na Villa, de 30 de março a 9 de abril, destinado a crianças dos seis aos quinze anos e cujas as inscrições podem ser feitas através dos seguintes contactos: geral@livingplace.pt, 910 741 061 e/ou 961 750 028.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de José Moura, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/