A antestreia nacional d’ “O Filme do Bruno Aleixo”, realizado por João Moreira e Pedro Santo, decorreu, na noite do passado sábado, 11 de janeiro, no Cineteatro de Anadia. Horas antes, o elenco da produção – que conta com nomes como o de Gonçalo Waddington, José Raposo, Rogério Samora, Adriano Luz e José Neto – juntou-se, no Museu do Vinho da Bairrada, para uma conferência de imprensa sobre “o filme pobre”, cuja produção cinematográfica é de Luís Urbano.

“Bruno Aleixo foi convidado a escrever um filme biográfico sobre a sua própria vida. Carecendo de ideias, foi pedi-las aos amigos mais próximos, onde reunidos num café, cada um sugere uma ideia diferente, mais ou menos biográfica”. É assim que, em breves palavras, se pode resumir o filme, rodado entre Anadia e Coimbra, que “aborda vários episódios da vida da personagem ficcional Bruno Aleixo, ao mesmo tempo que procura ser uma homenagem ao cinema, com referências à cultura pop da sétima arte”.

“É um filme do qual se realça o naipe de ilustres atores que, de forma desinteressada, aceitaram o nosso desafio. E digo desinteressada porque se trata de um filme pobre, feito com poucos recursos”, começou por dizer Luís Urbano, enaltecendo que esse fator não foi impeditivo desta produção já ter passado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no Brasil, depois no Porto e agora a antestreia em Anadia.

A estreia comercial em Portugal e no Brasil está agendada para o próximo dia 23 de janeiro. “Esta ideia começou há muito tempo porque eu era fã dos rapazes e do seu trabalho. Em 2013/2014, numa das viagens Porto – Lisboa combinei um almoço, na Munich em Coimbra, e em 2017 o último guião estava escrito”, continuou o produtor Luís Urbano.

Para além do apoio do Município de Anadia, o filme contou ainda com a colaboração de várias instituições e entidades concelhias, como o CineClub da Bairrada (Club de Ancas), o Hotel do Parque, Hotel das Termas da Curia, Casa de Mogofores, Ibervita, Paróquia de Anadia, Bombeiros Voluntários de Anadia, entre outros locais, muitos deles palco de gravações.

A dois meses de comemorar doze anos de existência, Bruno Aleixo, personagem ficcional que parece uma mistura entre um cão e um Ewok (personagem do universo dos filmes Star Wars), tem sessenta e dois anos de idade, é natural de Coimbra, com ascendência na Bairrada e no Brasil, e apareceu pela primeira vez em 2008, com vídeos publicados na internet onde deixava vários conselhos, desde os problemas de dormir nu à necessidade de guardar bolas de naftalina para as crianças não as comerem. Neles é normal aparecer referência a locais da região, como a Mata do Bussaco personificada no “Homem do Bussaco” e a alusão aos almoços na Munich em Coimbra.

“O melhor de todo este período é que nunca perdemos público, muito pelo contrário, fomos sempre somando”, referiu João Moreira, o mentor da personagem Bruno Aleixo, que no Brasil é um caso de enorme sucesso. É, aliás, do outro lado do atlântico, que chegam muitas questões sobre Bruno Aleixo e as referências a locais e termos nos vídeos publicados, como é exemplo o “bué”. “Também já nos enviaram um email a perguntar de que região do país é o Bussaco, por causa da pronúncia de uma das nossas personagens”, descreveu ainda Luís Urbano.

Sobre a descentralização da gravação deste filme acontecer na região Centro e não no habitual epicentro de Lisboa, o ator Rogério Samora é perentório, garantindo que “tem muito potencial”. “É uma zona perto de Lisboa, que conserva alguma pureza e arquitetura de outros tempos”, rematou.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de José Moura, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/