Num dia importante para a Mealhada, com a comemoração dos quinze anos da Biblioteca Municipal, foi o escritor Francisco Moita Flores o responsável por “encher” o auditório da infraestrutura com pequenos episódios da sua vida pessoal e literária. Dezenas de pessoas deslocaram-se ao espaço, na noite da passada sexta-feira, participando, não só do encontro com o reconhecido escritor, mas também no corte do bolo, onde não faltou o brinde “4 Maravilhas”.

Francisco Moita Flores lotou o auditório da Biblioteca da Mealhada com as suas histórias, numa noite importante para o espaço que soprou as velas aos seus quinze anos. “Uma Biblioteca que surge a partir de uma itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian que, durante décadas, proporcionou oportunidades de leitura e interação”, declarou Nuno Canilho, vereador na Câmara da Mealhada responsável pelo pelouro da Cultura, que relembrou os cidadãos Armindo Pega e José Lopes responsáveis por esse serviço no município. “Já este espaço teve um contributo muito grande de uma pessoa, sua fundadora, que já faleceu, a dr.ª Manuela Soares”, disse ainda.

E pegando nas palavras do autarca, Francisco Moita Flores começou por dizer que “o país nunca deu o devido reconhecimento ao que representaram as bibliotecas itinerantes”. “Foi lá que fiquei viciado em leituras”, enfatizou, esclarecendo que continua a investigar “como fazia há quarenta anos”. “Sou muito conservador e faço as minhas anotações todas à mão”, explicou, defendendo que “o livro é um instrumento material que nos tem que tocar”.

Francisco Moita Flores tem uma vasta obra publicada e produzida, com títulos como “Mataram o Sidónio!”, “A Fúria das Vinhas”, “O Bairro da Estrela Polar”, “A Ferreirinha”, “O Processo dos Távora”, “Alves dos Reis”, “João Semana” ou “Quando os Lobos Uivam”. É considerado pela crítica como o melhor argumentista do país, tendo já sido distinguido, em Portugal e no estrangeiro, pela qualidade da sua obra, e foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante pela carreira literária e pública.

Recorde-se que a Biblioteca Municipal da Mealhada abriu ao público a 29 de novembro de 2004 e “é um espaço de informação e lazer vocacionado para a promoção do livro e da leitura junto de públicos de todas as idades”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Galeria de fotografias, de José Moura, em https://www.facebook.com/bairradainformacao/