A primeira reunião dos principais destinatários do Plano Nacional das Artes aconteceu, na tarde de ontem, 23 de outubro, na região Centro, concretamente no município da Mealhada. O plano, feito para dez anos, mas em vigência durante cinco, altura em que será feito um balanço, conta no ano letivo de 2019/2020 com cerca de seis dezenas de entidades educativas envolvidas, entre escolas e Agrupamentos.

“Este é um plano revolucionário”, garantiu, ontem, Suzana Menezes, Diretora Regional de Cultura do Centro, destacando “a envolvência de toda a comunidade, bem como dos Ministérios da Cultura e da Educação”. “Esta é a primeira de muitas reuniões por todo o país, onde o que se pretende é lançar a discussão sobre o tema junto da comunidade escolar”, explicou, garantindo ser um plano que “nos obrigará a todos a um posicionamento novo e renovado perante as artes”.

Na prática o Plano Nacional das Artes pretende ser “uma estrutura de missão que envolve parcerias com a administração local, entidades privadas e a sociedade civil, com o propósito de dar um lugar central às artes e ao património na formação ao longo da vida”. “Não estamos a inventar a roda, nem a criar nada de novo. Existem coisas extraordinárias já a acontecer em escolas portuguesas”, começou por dizer Paulo Pires, comissário do Plano, garantindo que se pretende “tornar a cultura mais acessível aos cidadãos” e que, por isso, será desenvolvido tendo em conta as especificidades de cada território, do mais pequeno ao maior.

“Está na nossa Constituição da República que todo o cidadão tem direito à fruição artística e à produção cultural. Não chega culpar sempre a escola por tudo, se depois ao lado há um museu que não incentiva à sua visitação e/ou à apresentação de propostas interessantes”, continuou Paulo Pires, garantindo que “muitos pais só vão ao teatro, precisamente nas escolas e para verem os filhos”. “As instituições culturais devem também pensar as atividades com um cariz educativo”, acrescentou.

E a título de exemplo, da panóplia de medidas da ação estratégica do plano, estão pensadas medidas como a da permanência de um artista residente, de seis meses a um ano, em cada agrupamento, que posso intervir na comunidade escolar através da arte e não como um professor; que os alunos a partir de uma obra de arte ou de uma visita a um Museu possam trabalhar as questões da cidadania e desenvolvimento; e ainda a criação de um conjunto de cursos de formação acreditados para professores e mediadores culturais.

No ano letivo de 2019/2020, serão já sessenta e três agrupamentos ou escolas a usufruírem dos “conselhos” e do acompanhamento técnico, por parte da comissão deste plano nacional, para a criação do seu próprio plano. “Mas queremos dar bases a todas as outras instituições para que, dentro em breve, seguindo as orientações do plano físico e que já não precisem de nós para nada”, afiança.

Sara Brighenti, subcomissária do Plano, ao «Bairrada Informação», explica que inicialmente há um pequeno apoio, em algumas medidas, às escolas envolvidas no projeto-piloto, mas que a ideia é a de que daqui a dez anos esteja nas mãos da sociedade civil o seu desenvolvimento e financiamento, quer seja através das autarquias e escolas, quer de empresas e/ou de associações. “É um plano com e para a comunidade”, concluiu.

O Plano Nacional de Artes trabalha em conjunto com o Plano Nacional de Leitura, a Rede de Bibliotecas Escolares, o Plano Nacional de Cinema, o Programa de Educação Estética e Artística e a Rede Portuguesa de Museus.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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