A chuva que se fez sentir, ao final da tarde do passado sábado, não afastou o aglomerado de pessoas que estiveram presentes no Festival de Samba na Mealhada, este ano, promovido pela Câmara Municipal da Mealhada, devido ao vazio diretivo que a Associação de Carnaval da Bairrada atravessa no momento.

O Jardim Municipal da Mealhada transformou-se, como acontece anualmente por esta altura, numa noite inteiramente dedicada ao som, à cor, aos passos e ao colorido do samba. Pelo palco passaram as quatro escolas que desfilam no Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada – Amigos da Tijuca (Enxofães), Batuque (Mealhada), Real Imperatriz (Casal Comba) e Sócios da Mangueira (Póvoa da Mealhada), mas também as convidadas: Charanguinha, de Ovar; A Rainha, da Figueira da Foz; e Vai Quem Quer, de Estarreja.

A apresentação foi feita pela “prata da casa”, com a mealhadense Paula Gradim, numa noite que terminou com a atuação do músico Nuno Bastos.

Recordamos os nossos leitores que, depois do ato eleitoral, para o mandato 2019-2022, que se realizou no passado mês de agosto, ter ficado deserto e dali ter saído uma comissão de gestão, a Associação de Carnaval da Bairrada tem uma nova data para as eleições, que se realizarão aquando de uma assembleia marcada para 22 de setembro.

Terá aliás sido a indefinição diretiva que a Associação de Carnaval atravessa no momento que levou a um entendimento entre a ACB e a autarquia mealhadense para que fosse a Câmara a promover o Festival de Samba em 2019.

Entretanto, Câmara e Associação de Carnaval, através de comunicados, apresentados nas suas páginas oficiais na rede social Facebook, manifestaram, publicamente, algumas posições. Se por um lado o Município garante que “não permitirá que o Carnaval da Mealhada deixe de existir, pelo que aguarda que a ACB comunique formalmente à Câmara, o quanto antes, se tem ou não condições de organizar o desfile de 2020”; por outro, a ACB admite terem acontecido três reuniões “com o executivo camarário no sentido de se fazer uma transição da organização do Carnaval da Mealhada, da ACB para a Câmara, sempre dependente da aprovação dos sócios (da referida associação)”, explicando ainda que “em momento algum os membros da comissão de gestão, alguns também pertencentes a escolas de samba, referiram que não haveria condições para a organização do mesmo”.

O Município enfatiza, contudo, que “se a ACB assumir a sua incapacidade para o efeito e solicitar a intervenção do Município”, este garante “que encontrará, junto da sociedade civil, uma solução alternativa, de modo a garantir a continuidade do Carnaval da Mealhada”.

 

Mónica Sofia Lopes