Os ninhos de vespa velutina, mais conhecida por “asiática”, têm crescido nos últimos tempos e levado as corporações de bombeiros voluntários, em algumas alturas do ano, a um trabalho diário no seu controlo devido às dezenas de solicitações. Ontem, um leitor do «Bairrada Informação» assistiu a uma intervenção, na localidade do Travasso, freguesia da Vacariça, no concelho da Mealhada, tendo registado o momento através de fotografias e de um video, radiografando, assim, um pouco do que acontece por toda a região da Bairrada.

“É uma praga e, por isso, pressupõe logo uma multiplicação das vespas e dos ninhos”, explicou, ao nosso jornal, Nuno João, comandante dos Bombeiros da Mealhada, acrescentando que os meses de maior atuação são os de junho a outubro, entrando-se depois num processo de “hibernização”.

Sobre o controlo de cada ninho, Nuno João fala numa intervenção “relativamente rápida”, onde com “uma cana de pesca se injeta no ninho um produto inseticida, que não causa, contudo, danos em outro tipo de animais”. “A atuação do produto tem a duração de dois, três dias, ficando depois o ninho desativado, acabando por apodrecer”, explicou sobre esta praga que se aloja em árvores, mas também em prédios, anexos e portões.

“No concelho da Mealhada, existem registos da vespa velutina desde 2015. No entanto, dispersou-se rapidamente por todo o município, tendo-se verificado, em 2018, um aumento significativo do número de ninhos detetados”, lê-se num comunicado da autarquia mealhadense, enviado às redações em julho passado, que dava ainda conta que a Câmara tinha recebido a aprovação de uma candidatura de apoio financeiro, no âmbito do Fundo Florestal Permanente, “para destruição dos ninhos de vespa velutina, pelo valor máximo de dez mil  euros”.

Ao nosso jornal, Nuno João garantiu também que, “em alturas de muito trabalho para os bombeiros, como foi o caso das últimas semanas com os incêndios, as solicitações acumulam-se um pouco mais do que é normal”, acrescentando que a Câmara da Mealhada apoia estas intervenções, “adquirindo as canas e os consumíveis”.

Um apoio assumido pela autarquia, que explica que, “com a colaboração dos Bombeiros Voluntários da Mealhada e Pampilhosa, tem reunido vários esforços, com o objetivo de erradicar novos focos – prevenindo, assim, a disseminação da espécie a outras áreas menos afetadas – e diminuir o impacto causado por esta vespa, na saúde e no bem-estar das pessoas, bem como ao nível apícola”.

O mesmo acontece em diversos municípios da Bairrada. Em Oliveira do Bairro, por exemplo, no ínicio deste mês de setembro, “os serviços do Município já eliminaram, desde o início do ano, cerca de noventa ninhos de vespas velutinas, tendo já identificado para destruição mais uma dezena”. Nessa altura, de acordo com Duarte Novo, presidente da Câmara de Oliveira do Bairro, apesar do número crescente de casos, a autarquia estava a conseguir “dar resposta na verificação, uma vez que”, explica, “nem todos os que são reportados são de vespas velutinas e levam à destruição dos ninhos”.

Também no concelho de Anadia, no ano de 2018, o Município eliminou quinhentos e oitenta e sete ninhos, sendo que no ano em curso, desde janeiro até ao final do mês de agosto, foram já destruídos duzentos e sessenta e quatro. A freguesia de Sangalhos tem sido a mais afetada, seguindo-se as uniões de Arcos e Mogofores; Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas; e Avelãs de Cima.

O alerta no caso de se avistar um ninho de vespa asiática deve ser feito para a autarquia da área de intervenção onde foi localizado.

 

Mónica Sofia Lopes

Imagens de Paulo Fajardo e video em https://www.youtube.com/watch?v=hQpMJmXyKtw