Atravessada por uma das principais linhas ferroviárias nacionais, onde começa a linha da Beira Alta de acesso à fronteira de Portugal com Espanha, a freguesia da Pampilhosa tem no seu epicentro uma vila onde não faltam os principais serviços. O «Bairrada Informação» esteve à conversa com Rosalina Nogueira, presidente da Junta há quase dois anos, que destaca “o amor profundo que os pampilhosenses têm à sua terra natal”, um sentimento que se traduz com a existência de mais de dez associações numa freguesia dividida por duas localidades: Pampilhosa – Alta e Baixa – e Canedo.

Não é natural da Pampilhosa, mas é lá que reside há vinte e quatro anos, tendo feito desta “também a minha terra”. As palavras são de Rosalina Nogueira, que se prepara para completar dois anos à frente da presidência da Junta de Freguesia. Um trabalho que não lhe era de todo desconhecido, uma vez que passou pelo lugar de secretária nos anteriores dois mandatos.

“Desafiaram-me e eu, pelo gosto de servir os outros, acabei por aceitar”, explica a autarca, confessando que lhe cativou a característica comum a todos os pampilhosenses de “um profundo amor à sua terra natal”.

“E este sentimento explica o surgimento de grupos e associações locais que têm como lema a defesa intransigente de tudo aquilo que é tradição, cultura e património da freguesia da Pampilhosa. No fundo pretendem perpetuar uma memória coletiva que confere à Pampilhosa uma identidade bastante peculiar”, elogia a presidente da Junta, referindo-se a panóplia de entidades associativas: Filarmónica Pampilhosense, Bombeiros Voluntários, Futebol Clube da Pampilhosa, GEDEPA – Grupo Etnográfico de Defesa do Património e Ambiente da Pampilhosa, Grupo Regional da Pampilhosa do Botão, Delegação no concelho da Mealhada da Cruz Vermelha Portuguesa, Núcleo de Karaté da Pampilhosa, Associação Cultural e Desportiva dos Pescadores da Pampilhosa, Agrupamento de Escuteiros 1067, Lismos – Associação Ambiental e Cultural, Grémio de Instrução e Recreio (GIR) e Aguarela de Memórias.

E muitas delas poderão vir a usufruir de um espaço no Chalet Suisso, um imóvel adquirido pela Câmara da Mealhada no anterior mandato e que, segundo Rosalina Nogueira, tudo indica que venha a ser uma “Casa da Cultura”. “Foi essa, aliás, a vontade manifestada (por representantes de coletividades) numa reunião promovida pelo Município”, acrescentou.

Numa freguesia com mais de 3.500 eleitores, a autarca aponta como maior dificuldade a falta de recursos humanos na Junta: “No quadro somente temos dois funcionários: uma administrativa e um coveiro. Depois temos dois Contratos de Emprego Inserção, um que dá apoio administrativo e outro nas limpezas de rua; e ainda um avençado para dar apoio também nos trabalhos de rua”. “É manifestamente pouco”, lamenta Rosalina Nogueira, adiantando que vai ser aberto um concurso para um lugar, no quadro da Junta, para assistente operacional.

Em 2019, o orçamento da Junta de Freguesia da Pampilhosa é de 271 mil euros. “É um orçamento apertado, que tem que ser bem gerido e, por isso, não pode fazer face a todas as necessidades como gostaríamos”, explica, concluindo que grande parte do valor é canalizado para “limpeza e manutenção dos espaços verdes e ruas”.

 

Mónica Sofia Lopes