O quartel dos Bombeiros Voluntários da Mealhada vai sofrer uma remodelação, num total de investimento de cerca de meio milhão de euros, tendo o contrato de empreitada sido assinado ao início da tarde de ontem, dia 6 de maio. A obra, que para ver “a luz do dia” sofreu quatro “desesperantes” anos, nomeadamente com a repetição da candidatura ao POSEUR, uma vez que a primeira não foi aprovada, só é possível também pelo facto da Câmara da Mealhada apoiar quinze por cento do valor total, comparticipando com setenta e cinco mil euros.

Carlos Castela e Nuno Canilho, dos Bombeiros da Mealhada, e João Abreu, da Construtora Coimbrões, Lda.

Para se chegar à tarde de ontem, a direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada, na voz de Nuno Canilho, seu presidente há três mandatos, assumiu ter passado “por um processo muitíssimo demorado, duro e com dias desesperantes” no que toca à candidatura do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos do Portugal 2020. “Em 2015 não tivemos condições para financiamento e em 2016, resultante de alguma inexperiência, o projeto apresentado tinha muitas fragilidades de arquitetura e de resposta eficiente às necessidades”, explicou o dirigente, que, nessa altura, garante terem estado perante um dilema: “Ou desistíamos ou íamos em frente”. “Fomos em frente com a realização de um novo projeto e pedindo a reprogramação de todo o processo, que culminou com um sim no passado dia 26 de março e um reforço substancial da verba atribuída”, acrescentou.

“A burocracia e as exigências da Autoridade Nacional da Proteção Civil e do POSEUR fizeram-nos crer, em determinadas alturas, que esta obra nunca ia acontecer”, confessou Nuno Canilho, descrevendo, contudo, que houve sempre “um sinal muito claro (para a continuidade do processo) por parte dos sócios, dos órgãos sociais das três direções, da Câmara da Mealhada e do comandante Nuno João, que foi a âncora para nunca perdermos o rumo de que esta obra tinha mesmo que ser feita”.

E há pouco mais de um mês, àquilo que chama de “resistência e insistência”, o POSEUR deu “luz verde” informando que a contribuição do Fundo de Coesão pode chegar aos oitenta e cinco por cento, num valor de cerca de quatrocentos e vinte e nove mil euros. O restante, de cerca de setenta e cinco mil euros, será suportado pela Câmara da Mealhada, “que garantiu sempre disponibilizar o apoio da comparticipação nacional”.

A obra atingirá grande parte do funcionamento operacional do quartel, concretamente, “no que diz respeito ao conforto dos Bombeiros”. No primeiro andar, a intervenção será estética, sendo “o grosso do esforço” para o rés-do-chão, com a mudança de espaços: a zona de convívio mudará de sítio; haverá uma nova camarata masculina, “muito mais confortável” ao nível de balneários e vestiários; remoção do telhado em fibrocimento; e serão realizadas algumas alterações na Central.

Outra das prioridades será a construção de uma camarata feminina. “Em 1993, quando este quartel foi inaugurado, não foi pensada, mas hoje, vinte e tal anos depois, já não faz sentido não existir”, declarou Nuno Canilho, explicando que dos cerca de sessenta bombeiros (cinquenta e seis no corpo ativo e cinco estagiários), duas dezenas são já do sexo feminino.

A empreitada, que se prevê com uma duração de duzentos e quarenta e três dias, alberga toda a parte de construção civil, “de tijolo e cimento”, ficando depois a cargo da Associação a pintura exterior do edifício, a aquisição de mobiliário (camas, cacifos e cadeiras) e eletrodomésticos para a cozinha. “A parte mais cara fica feita, mas depois vamos ter que continuar andar de mão estendida”, referiu o presidente da direção, exemplificando com a participação numa tasquinha gastronómica na FESTAME – Feira do Município da Mealhada, peditório porta à porta e o cantar das Janeiras.

“Os Bombeiros não têm capacidade para armazenar dinheiro. Estamos sempre a investir em equipamento, formação, ferramentas, viaturas…”, enumerou Nuno Canilho, enfatizando que “se a Câmara não tivesse dado este sinal de disponibilidade, nunca conseguiríamos chegar ao dia de hoje”.

 

Mónica Sofia Lopes