A praticamente uma semana da realização dos festejos do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada (de 1 a 5 de março), na cidade da Mealhada, que assinala também a organização do terceiro evento por parte da atual direção da Associação de Carnaval da Bairrada, entrevistámos o seu presidente Alexandre Oliveira. O dirigente defende a “profissionalização” do evento e não descarta a hipótese de prosseguir o trabalho feito nos últimos três anos. Mas para já garante que o foco está na realização do evento de 2019.

 

Com mais um Carnaval à porta, que análise faz dos últimos três anos de trabalho?

A análise que fazemos é extremamente positiva. Têm sido três anos de imenso trabalho e ajuste a uma nova realidade, mas que, apesar de todas as pedras no caminho que foram surgindo, nos tem deixado a todos orgulhosos do trajeto percorrido. A equipa que se mantém comigo até hoje, tem feito um trabalho fantástico.

 

Qual a “grande obra” desta direção?

A grande obra desta direção foi, sem dúvida, a mudança de toda a logística do Carnaval para o seu lugar de origem, no centro da cidade. Foi um risco calculado e, sem dúvida, que foi a decisão certa na altura certa. A Mealhada e o Carnaval da Bairrada precisavam desta mudança.

 

A edição transata sofreu um abalo financeiro, uma vez que a receita da bilheteira foi afetada pelo cancelamento do corso de domingo, não tendo o desfile noturno, organizado em menos de 24 horas, colmatado o prejuízo. Em algum momento esteve em risco o Carnaval de 2019?

Não, o Carnaval de 2019 nunca esteve em risco. Obviamente que tendo nós um orçamento que está diretamente dependente das condições climatéricas, tudo seria ajustado à realidade do momento, mas sem nunca colocar em causa o mesmo.

 

O acionamento, por parte da Câmara, da verba extraordinária prevista em protocolo, no valor de 24 mil euros, para situações referentes ao cancelamento de um corso devido a más condições climatéricas, contribuiu para o evento deste ano nunca ter estado em causa?

Para nós, não havia dúvidas de que essa verba nos ia ser disponibilizada, pois estava prevista em protocolo. Mas independentemente desse valor, o Carnaval ia sempre sair à rua, até porque tivemos sempre dois cenários em cima da mesa.

 

Como vê a alteração ao modo de financiamento do Carnaval da Mealhada, por parte da Autarquia, que atribui, este ano, verba diretamente às quatro escolas de samba (36 mil euros para as escolas e 24 mil para a ACB), uma decisão tomada depois de uma auditoria às contas da ACB?

A alteração do modo de financiamento não foi algo que a ACB tivesse tido opinião, portanto não vale a pena referir demasiado essa questão. O importante é que o valor de apoio às escolas de samba se mantenha e, em termos do nosso orçamento, não altera praticamente nada.

Em relação à auditoria, consideramos que foi transparente e deu-nos indicações de pormenores a ajustar. Aconteceu precisamente num ano em que, curiosamente, eu e mais dois elementos da minha direção pedimos um empréstimo, com aval pessoal, para garantir os pagamentos a fornecedores. Fizemo-lo pelo bom nome do Carnaval da Mealhada.

 

O futuro do Carnaval da Mealhada, como o imagina?

O futuro do Carnaval, essencialmente pela enorme qualidade que as nossas escolas de samba apresentam ano após ano, sempre a melhorar e a inovar, será certamente risonho e continuará a criar, em todos nós, grandes e boas memórias e momentos de alegria e diversão.

 

Considera que deve haver uma “profissionalização” na organização do Carnaval da Mealhada?

Sim, acho que o Carnaval da Mealhada precisa de se “profissionalizar” para poder crescer e ser uma bandeira ainda maior do concelho. No entanto, esse crescimento terá que ser feito sempre pelas pessoas do Carnaval e não por outras pessoas que, provavelmente nos próximos tempos, se irão tentar aproveitar do sucesso que o mesmo tem tido. É importante que quem decide, seja sempre alguém com profundo conhecimento de causa. Existem várias pessoas no círculo das escolas de samba que, unindo esforços e conhecimentos, poderão ajudar neste processo. Obviamente que tudo também estará sempre dependente da importância que a Câmara Municipal da Mealhada queira dar ao evento, porque, de outra forma, nunca poderá crescer sozinho.

 

Em relação à edição de 2019 do Carnaval da Mealhada, existe alguma novidade em relação aos anos anteriores?

A novidade, apesar de já não ser totalmente novidade por o termos realizado dentro de determinadas condições no ano passado, é a introdução a título efetivo do desfile noturno. É sem dúvida uma mais valia e um acrescento de qualidade para o nosso Carnaval.

 

O concurso “Joham d’Oliveira”, que avalia a prestação das quatro escolas de samba, será também nos moldes dos anos anteriores?

O concurso irá manter-se exactamente nos mesmos moldes, ou seja, será uma co-organização das quatro escolas de samba juntamente com a Associação de Carnaval da Bairrada. É o modelo mais correto, que melhor funciona e acima de tudo o mais transparente.

 

Escolas de samba do Carnaval Luso Brasileiro da Bairrada nomeadas para os Globos do Samba, algumas a transportarem ainda os “títulos” que arrecadaram no ano transato. O que é que isto significa para o Carnaval da Mealhada, em especial para esta direção?

A nomeação, ano após ano, das nossas escolas para os mais variados tipos de prémios, demonstra que todos, e principalmente os próprios, estão a seguir o caminho certo e a fazer as coisas da forma correta. É para nós, ACB, Carnaval da Mealhada e população em geral, um imenso orgulho e motivo de alegria. Todas as escolas são incansáveis na forma como gerem e preparam um Carnaval, ainda para mais com orçamentos bastante mais reduzidos se compararmos com as escolas de outros carnavais. Parabéns a todos eles, como o merecem!

 

Em entrevista, para já, a duas escolas conseguimos perceber o aumento de desfilantes em ambas. O que é que isto quer dizer?

O aumento de desfilantes significa que o Carnaval da Mealhada está vivo e de boa saúde, como já não estava há alguns anos, que as escolas de samba fazem um grande trabalho de integração de elementos bem como na componente social, e que o futuro está sem dúvida garantido.

 

Com esta direção, os foliões viram o regresso do Carnaval ao centro da cidade, à vinda de um rei brasileiro e, por força das circunstâncias no ano passado, agora também o acréscimo de um desfile noturno. Sentem o peso da responsabilidade em continuarem este trabalho? Vão querer fazê-lo?

Sentimos acima de tudo o apoio incrível de todos os que estão direta e indiretamente ligados ao nosso Carnaval, sinal de que as coisas estão a ser bem feitas e de acordo com as expectativas de tantas e tantas pessoas que durante anos ansiaram por este regresso ao modelo original e de sucesso.

Se vamos continuar este trabalho é algo que está naturalmente em cima da mesa, que será discutido na altura certa, em família, como sempre fazemos, mas o foco para já é o Carnaval de 2019. De qualquer forma aproveito para agradecer a todos aqueles que nos últimos tempos se têm manifestado no sentido de darmos continuidade ao nosso projeto.

 

Que mensagem deixa às escolas de samba, público,…

A nossa mensagem final, é de, mais uma vez, agradecimento para as escolas de samba por todo o trabalho realizado em prol do Carnaval da Mealhada e por toda a disponibilidade que têm sempre para connosco ACB. Em relação à população, agradecer todo o carinho e apoio que nos dão desde o primeiro dia, e lembrar todos aqueles que, mesmo não aparecendo nas fotografias, estão sempre prontos para ajudar das mais variadas formas.

Um muito obrigado a todos!

 

Mónica Sofia Lopes