O Presidente da República esteve ontem (18 de dezembro), na Mealhada, a ouvir os problemas dos “Motoristas do Asfalto”. Num percurso de cerca de seis quilómetros, Marcelo Rebelo de Sousa conduzido por um motorista da TMP Transport viu “in loco” o estado das vias nacionais, aquilo que mais preocupa motoristas e empresários.

Marcelo Rebelo de Sousa com funcionários da empresa TMP Transport, na Zona Industrial da Pedrulha (Mealhada)

O ponto de encontro para a receção de Marcelo Rebelo de Sousa foi a Zona Industrial da Pedrulha, na empresa TMP Transport. No local, e à sua espera, já estavam, para além de um veículo pesado de transporte de mercadorias, também o motorista Fernando Frazão, trabalhador naquela empresa há cerca de um ano. Foi este quem transportou o Presidente da República até ao restaurante “O Vítor”, no Carqueijo, bastante conhecido no “mundo” dos camionistas nacionais e internacionais.

“Foi uma viagem curta, mas deu para expressar alguns dos problemas”, disse, aos jornalistas, Fernando Frazão, fundador e presidente da Associação “Motoristas do Asfalto”, referindo-se à legislação do setor, “aos salários baixos”, mas também aos problemas do “tráfego no Itinerário Complementar”.

O almoço no restaurante “O Vítor”, no Carqueijo.

Fernando Frazão disse ainda que os trabalhadores do setor estão “muito insatisfeitos” com o novo Contrato Coletivo de Trabalho, celebrado entre a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicação (FECTRANS), em vigor desde setembro passado, acrescentando também que os sindicatos “estão um bocadinho parados”.

O presidente da Associação “Motoristas do Asfalto”, entidade que existe há três anos, não descarta a possibilidade do descontentamento levar a situações “mais extremas”, mas garante que a visita de Marcelo Rebelo de Sousa nada tem a ver com as manifestações agendadas para a próxima sexta-feira no âmbito do movimento intitulado “Vamos parar Portugal como forma de protesto”.

Ao «Bairrada Informação», quando questionado sobre a companhia que teve, na manhã de ontem, no transporte de trabalho que conduz, diariamente, Fernando Frazão confessou ter sido “uma sensação boa”. “Esteve no meu ‘local de trabalho’ a ouvir os problemas que me atingem”, acrescentou.

José Pascoal, da gerência da TMP Transport, corrobora das preocupações dos membros da Associação, muitos deles seus funcionários, principalmente quando o assunto toca ao estado das estradas nacionais do país, motivo que levou o Presidente da República a fazer o pequeno percurso, ontem, na Mealhada, num veículo pesado. “Fazer Porto – Lisboa pela Nacional é quase impensável”, disse-nos, garantindo que comparando com outras alturas, neste momento, ao referido percurso “acrescenta-se mais duas horas e meia do que seria o normal”.

“São os motoristas quem mais sofre com tudo isto, mas nós, os empresários, estamos preocupados, uma vez que as cargas chegam cada vez mais atrasadas”, acrescentou.

Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa disse ter vindo ouvir os problemas representativos dos de “milhares de pessoas de todo o país” e que é, desta forma, que devem ser expressas “as razões de queixa e de indignação”. E para o descontentamento da sociedade relembra que esta “terá o voto daqui a poucos meses”, fazendo, assim, uma referência às Legislativas.

Já sobre o percurso efetuado no veículo pesado, na manhã de ontem, o Presidente da República garante que já em janeiro fará, pelo mesmo meio, Porto –Lisboa e Lisboa – Porto.

 

Mónica Sofia Lopes

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