Foi há mais de uma semana que vereadores e elementos da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada” procederam a uma ação de limpeza em algumas zonas do Jardim Público da Pampilhosa. Na altura, Rui Marqueiro, presidente da autarquia, disse, ao nosso jornal, que a ação era “indevida”, por visar um espaço do “património municipal”. Mas foi o comunicado municipal, no final da semana passada, onde a autarquia escreve ter “registado cortes de relva pontuais por parte de alguns vândalos” que provocou um descontentamento por parte da oposição, onde muitos dos seus principais intervenientes chegaram a publicar nas suas páginas pessoais do Facebook “je suis vândalo”.

O comunicado da Câmara, de 12 de julho, pretendeu dar conta dos últimos passos dados “na limpeza dos grandes espaços verdes de lazer”, referindo-se, em concreto, aos Parques da Cidade da Mealhada, do Lograssol e do Lago do Luso. Acerca do Jardim Público da Pampilhosa, cuja intervenção aconteceu na passada sexta-feira, dia 13 de julho, no documento municipal podia ler-se que se tinham “registado cortes de relva pontuais por parte de alguns vândalos, cujos danos tentar-se-ão que sejam minimizados”.

E na última reunião, Hugo Silva, da coligação, questionou o valor “dos estragos”. Uma intervenção que levou Rui Marqueiro a enfatizar que “alguém cortou relva, em espaço municipal, sem pedir autorização”.

“Se me apresentasse em casa do senhor e procedesse ao corte de ervas, o senhor não ia gostar. Ora, pessoas, sem autorização, que fazem certo tipo de coisas, para mim são vândalos e se quisesse tinha intervindo na vossa ação”, acrescentou o edil, lamentando não ter sido ouvido o que disse na última Assembleia Municipal. “Expliquei que estava com dificuldades nessa matéria e onde estava a fazer a primeira intervenção (no Itinerário Complementar 2), que até já me mereceu um telefonema por parte da Infraestruturas de Portugal a agradecer o trabalho feito”, disse.

“A verdade é que eu confessei as dificuldades que tínhamos em contratar empresas de limpeza para os espaços verdes e conhecia bem as insuficiências do município. A juntar a isso, e como tenho o comando direto desse setor, estive ausente uns dias e o tempo foi favorável ao crescimento da vegetação”, acrescentou, explicando ainda que o corte de vegetação é uma operação difícil: “Há sempre vidros partidos nos carros dos automobilistas e, há dias, só não aleijamos uma pessoa por sorte!”.

“As freguesias continuam a atribuir números de polícia sem terem competência”

Na mesma reunião foi ainda dada a informação do procedimento para “elaboração do regulamento e numeração de Polícia do Município da Mealhada”. A responsável pelo serviço, Margarida Costa, explicou que “a regulamentação, hoje em dia, é de extrema importância”.

“Em maio fomos contactados pelos serviços dos CTT que tinham um pedido de um munícipe para emissão de cartão de cidadão, que não ia ser realizado por não haver número de polícia”, acrescentou, garantindo que “a situação acabou por ser resolvida”, mas defendendo a criação de um regulamento.

“As freguesias continuam a atribuir números de polícia sem terem competência”, disse, afirmando já “andar em conversações com as Juntas de Freguesia” e referindo que o caso “mais gravoso é o da Vacariça”. “Vamos ponderar as situações todas e causar o menor prejuízo possível”, rematou.

 

Mónica Sofia Lopes