Damos voltas e voltas, de dia à noite, muitas das vezes fora da nossa cidade, mas sempre que voltamos, a nossa segurança aumenta e daí sentimos que estamos na nossa zona de conforto. Onde podemos andar sem desconfiar de ninguém, onde podemos seguir em frente sem medo que alguém nos ataque, onde podemos finalmente perseguir de cabeça erguida. A nossa cidade é a mais perfeita de todas.

Com mais de dois anos fora da sua cidade, aquela que considera a favorita e de coração. Sem falar da sua cidade de naturalidade, que também nutre de sentimento profundo. Andou de terra em terra, ruas e ruas, casas e mais casas, mas quando voltou a sua cidade de peito, sentiu como há muito não havia sentido.

Entretanto, voltou porque lhe convidaram participar num evento que a sua antiga escola organizou, decidiu ir com um dos seus melhores amigos que era colega de turma na mesma escola e este por sua vez levou outro amigo.

À chegada, sentiu um cheiro único, cheiro da cidade que lhe recebeu e lhe deu conforto que precisava para chegar a meta. Sem resistir, começou a passear pelas ruas e sem saber o que fazer, com a mochila às costas. Muitas das vezes, passando mais do que uma vez pela mesma rua e lembrando dos acontecimento que teve na altura em que estava na sua terra. Soltava o sorriso no caso de ser uma lembrança positiva e se não for, balançava a cabeça. E seguia por outra rua.

Durante toda a tarde de passeio, voltou a reviver todos os momentos desde a primeira vez que pisou o seu solo de coração. Momentos estranhos, a começar com os cumprimentos e atenção que não estava habituado, olhares, sorrisos, até a comida era estranha, a água então, de tão estranha que era por não estar habituado, mas que lhe saciava de uma forma muito suave e diferente, é das coisas que mais ingeriu no seu organismo.

Como é bom voltar a nossa cidade e principalmente quando é a nossa cidade de coração. Encontrar pessoas que há muito não víamos, cumprimentá-los com apertos de mão, abraços, beijinhos e sorrisos permanentes. Onde cada história contada é como se fosse nossa. Pessoas que fazem de nós pessoas em todos os sentidos. A cidade que se orgulha das pessoas que tem e que por elas trabalham diariamente a fim de estabelecer um conforto durável. A cidade com cinco maravilhas, Água, Pão, Vinho, Leitão e pessoas…

 

Artigo de Mamadu Alimo Djaló

Estudante de sociologia na universidade do Algarve

Antigo aluno de Técnico de Restauração, Cozinha e Pastelaria na EPVL

 

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