A Unidade Pastoral da Mealhada – que abrange sete paróquias e oito freguesias do concelho da Mealhada -, através dos seus Grupos Socio-Caritativos, e o Programa Abem – Rede Solidária do Medicamento, promovido pela Associação Dignitude, firmaram uma parceria que permitirá apoiar, durante um ano, até cerca de quatro dezenas de beneficiários com carência económica e social, a adquirirem os seus medicamentos sem qualquer custo e sob forma de anonimato. O programa, apoiado em 80% pela Dignitude e em 20% pelos GASC’s do concelho da Mealhada, vai sendo reavaliado e readaptado, caso a caso, anualmente.
«Para nós (este programa) ajudará a resolver um problema preocupante que existe na Paróquia», começou por referir Rodolfo Leite, pároco da Unidade Pastoral da Mealhada, explicando que «na Mealhada, em 2026, é preciso que se tenha noção que há pessoas a escolher a medicação que tomam, porque não a podem comprar toda, ou até mesmo a não comprarem porque têm que optar por outras prioridades, nomeadamente, pela alimentação». «É assustador e preocupante a quantidade de pessoas nesta situação e as dívidas que vão acumulando na farmácia, quando nos vêm pedir ajuda», enfatizou.
O processo iniciará já no terreno com formação dada aos elementos dos GASC da Mealhada, por parte da Associação Dignitude, seguindo-se o rastreio, a avaliação e os cálculos, através de uma plataforma eletrónica, que permitirá, no final, chegar a 40 beneficiários, precisamente aqueles com maior carência. A partir daí, cada beneficiário terá o seu cartão Abem, válido por um ano, que poderá utilizar nas farmácias aderentes ao programa, que serão, nos próximos dias, também elas contactadas. «É importante dizer-se que não há um “plafond” em cada cartão. Cada utente, sob receita médica, poderá adquirir a sua medicação específica e necessária», destacou Paula Dinis, presidente da direção da Dignitude, enfatizando que a principal missão deste programa «é apoiar as pessoas que, devido à carência económica, interrompem as suas medicações, causando problemas graves na saúde e outras dificuldades associadas a esta falta».
Sob o mote dos quatro P – ajuda Próxima, Primeira, Possível e (às vezes) Permanente) -, o programa está implementado em todo o país, em 60% dos concelhos, tendo já chegado a 27 mil famílias. Em 2025, o Abem foi reconhecido com o Prémio dos Fundos Europeus na área social. «Estamos a falar de famílias “jovens”, isto é, que têm no seu agregado pessoas com idades inferiores a 65 anos, mas que não conseguem ter rendimentos suficientes para suportar todas as despesas. São sobretudo estas famílias que mais precisam, porque as mais velhas já têm apoios da Segurança Social e medicação mais barata devido à idade», explicou ainda Paula Dinis.
Para Cristina Louzada, do GASC da Mealhada, esta parceria «significa dar qualidade de vida aqueles que são mais vulneráveis (alguns já identificados e acompanhados pelos grupos socio caritativos nesta matéria da saúde) e a ajuda ao próximo é a nossa principal missão. Sob anonimato e sigilo vai ser uma ajuda muito importante».
Neste processo, e segundo uma nota de imprensa, «as farmácias do concelho da Mealhada assumirão um papel fulcral, enquanto parceiros fundamentais na concretização desta resposta e no acompanhamento dos beneficiários no acesso aos medicamentos comparticipados pelo Programa Abem».
Mónica Sofia Lopes
























