A vila de Luso tem a decorrer, até ao próximo dia 31 de maio, um Roteiro de Tradição intitulado «Montras em Festa», iniciativa que se integra nas celebrações do Dia da Ascensão. «Ao longo das ruas, o comércio local transforma as suas montras em verdadeiras obras de arte, oferecendo aos visitantes uma experiência visual única e repleta de identidade cultural», explicam os promotores da atividade.

«Montras em Festa» é um convite «à redescoberta do comércio de proximidade, à valorização da arte feita com o coração e ao envolvimento da comunidade em torno de uma das datas mais simbólicas do calendário local: o Dia da Ascensão». Se no ano passado, a Junta de Turismo Luso – Bussaco utilizou fotografias antigas da Romaria da Ascensão, para ajudar na decoração, em 2026 «para enriquecer este roteiro cultural complementamos as decorações com provérbios e adágios populares sobre o mês de maio, partilhando, com quem passa, a sabedoria dos nossos antepassados. As pessoas gostam e querem visitar uma boa história e isso não falta aqui», explicou, ao nosso jornal, Joaquim Correia, chefe de setor do Turismo do Município da Mealhada, garantindo que «cada paragem é uma celebração e cada montra conta uma história.

«Em maio, as cerejas uma a uma leva-as o gaio, em junho a cesta e o punho…», «Em maio a quem não tem basta-lhe o saco», «Guarda pão para maio, lenha para abril, o melhor bicão para o São João» e «A boa cepa, maio a deita. A erva, maio a dá, maio a leva» são muitos dos «dizeres antigos» que estão espalhados pela vila de Luso

Neste roteiro, que pode ser pesquisado em https://sigmealhada.cm-mealhada.pt/roteiroascensao/, participam a Mercearia do Miro, Armazéns Triunfo, Docilar, Mel Spot, Casa Marquel, Farmácia Lucília Ruivo, Bailundo, Taberna do Burriqueiro, Papelaria São João, Prendinha, Retrosaria Helena Freitas, SaudaveLUSO, Miminhos de Beleza, ContabiLuso, Farmácia Nova, Art & Style, Casca de Nós, O Cantinho da Bela e Florális.

Os comerciantes entusiasmam-se com a iniciativa. «Fui procurar mais informação sobre a história da Ascensão e fiz o levantamento dos materiais que precisava, nomeadamente os ramos com “os maios”, alecrim, espiga e malmequeres», começou por dizer Teresa Várzeas, da Florális, explicando que, na sua montra, «montou um piquenique, onde contém também bilhas que as senhoras apregoavam nas estações ferroviárias da Pampilhosa e do Luso, os lenços tabaqueiros (dos homens), as condessas (cestas) e até uma algibeira que se utilizava muito na romaria». «De há uns anos para cá tem havido uma tentativa do setor do Turismo e do Município da Mealhada em revitalizar esta tradição», refere a comerciante, admitindo que o tema e a ornamentação, fora do vulgar, das montras dos estabelecimentos «pode mesmo trazer mais gente ao Luso».

Liliane Costa, da Art & Style, corrobora com a colega sobre a importância da iniciativa e, ao nosso jornal, descreve-nos a sua montra. «Tem diversos utensílios ligados aos aguadeiros, referências a algumas profissões e à forma de vestir em épocas mais antigas», enumerou, explicando que contou «com a ajuda de muitas pessoas, do Luso, mas também de Mortágua». «As bicicletas são de familiares e os trajes foram cedidos pelo Centro de Dia da IPSS de Luso, que utilizou nas marchas, e pela Associação da Lameira». «No fundo, a comunidade também trabalhou para esta montra, o que é muito engraçado. Para nós, das lojas, é uma forma de contribuir e dar vida à vila», diz, garantindo que, desde que começou a fazer a montra, na semana passada, «os turistas param e perguntam o porquê de as montras estarem assim. Já as pessoas que são de cá, mais velhas, entram e contam algumas histórias e de como usavam os trajes».

Também neste período, a vila engalana-se com algumas janelas, portas e ruas enfeitadas de flores. «No fundo, é proporcionar uma interação entre a comunidade local e os turistas. Queremos fazer brilhar esta vila nesta época tão festiva e isso só é possível com a mobilização das pessoas e dos comerciantes. A Ascensão é uma festa com memória», declarou, aquando de uma conferência de imprensa sobre esta temática, Filomena Pinheiro, vice-presidente da Autarquia da Mealhada, recordando «ver passar, quando era mais nova, as romeiras de Cantanhede e de Anadia para o Bussaco. Até existiam comboios especiais da Pampilhosa para o Luso».

 

Reportagem de Mónica Sofia Lopes

 

 

 

 

Curiosidades sobre a Ascensão:

 

– Dia religioso que já foi feriado nacional;

– Antigamente, existiam comboios especiais com destino à Estação de Luso;

– Da Bairrada como muitas pessoas vinham de bicicleta, muitos locais faziam negócio guardando-lhes as bicicletas, por um valor, durante todo o dia;

– As mulheres deslocavam-se ao Convento de Santa Cruz, ao retábulo de Josefa de Óbidos com a «Senhora do leite», pedindo que fosse possível amamentarem as crianças.