No Dia Nacional dos Moinhos, 7 de abril, a Autarquia da Mealhada apresentou, no Mercado Municipal da Pampilhosa, o documentário «Entre Moinhos e Fornos: Memórias da Tradição», da autoria de Lídia Dias e Daniel Morais, do Centro de Interpretação Ambiental, e realização de João Almeida, da Divisão de Comunicação e Imagem da Câmara, e inaugurou ainda a exposição «Moinhos da Nossa Terra – Património Molinológico», que contou com a colaboração de munícipes e diversas entidades do concelho.

Numa sala repleta de público, foi o documentário que trouxe à tona as emoções. Um trabalho que contou com os testemunhos de «Ti Maria da Palaia», proprietária de um moinho na Ferraria, freguesia de Barcouço; Carlos Duarte, aprendiz de moleiro, que ainda hoje coloca a funcionar, uma vez por ano, o moinho de Santa Cristina; «Ti Irene Retroz», da Vacariça, que partilhou memórias de um tempo em que as eiras da Lapa serviam de sequeiros e os moinhos funcionavam plenamente; a antiga moleira «Ti Laurinda», do Lograssol; António Soares, de Várzeas (Luso), a última pessoa a picar e a fazer mover as mós; e, em Ventosa do Bairro, «o senhor Amado», antigo carpinteiro que, ocasionalmente, reparava os rodízios dos moinhos. O trabalho contou ainda com a participação de Licínia Ferreira, na confeção do pão tradicional; e de Dona Adosinha, que continua a fazer broa com farinha moída num moinho tradicional de Cabouco, em Ceira.

Lídia Dias, do CIA, explicou que a ideia surgiu por parte de uma técnica do Município que, nas suas visitas aos lares e centros de dia, referiu que «muitos utentes recordavam os tempos em que trabalhavam no campo e nos moinhos. Foi o ponto de partida para recolhermos testemunhos e vivências, num projeto que também contou com o apoio dos presidentes das Juntas de Freguesia, que nos indicaram moinhos e pessoas disponíveis para partilhar as suas histórias».

O documentário, que está dividido por capítulos, nomeadamente «Da semente à espiga», «Do grão à farinha», «Da farinha ao pão» e da «Saudade de tempos antigos», deixou feliz «Ti Maria da Palaia», de 95 anos, proprietária do Moinho na Ferraria, que assistiu à sua apresentação. «Usávamos o moinho para fazermos coisas para nós, para casa. Neste momento está parado, mas ainda está conservado», declarou sobre um edifício, com cerca de 200 anos. «Adorei este trabalho e passei aqui hoje um momento muito bom», congratulou.

Na sessão foi ainda apresentada a exposição «Moinhos da Nossa Terra – Património Molinológico» que contém imagens, fotografias e postais disponibilizadas por Nuno Alegre, José António Moura, Mário Breda, Jorge Penetra, Andreia Martins, Centro Cultural Lameirense – O Moinho, Posto de Turismo de Luso e Arquivo Municipal da Mealhada. «Embora muitos moinhos tenham desaparecido ou se encontrem em ruínas, considerámos importante fazer um registo fotográfico que permita mostrar o que já tivemos e o que ainda subsiste, um património que importa preservar», declarou Daniel Morais, do CIA. Também Abílio Semedo trouxe alguns rascunhos de registos, com cerca de cem anos, de José João Andrade de São José, conhecido em Santa Cristina, por «A Rabelas», vendedor de milho e falecido em junho de 1922.

«Há doze anos que nos associamos à Rede Portuguesa de Moinhos e celebramos as nossas tradições e estas maravilhosas pessoas que nos transmitem os seus saberes», congratulou Filomena Pinheiro, vice-presidente da Autarquia da Mealhada. Palavras corroboradas por António Jorge Franco, presidente da Autarquia, que referiu que «os moinhos são património e fazem parte da nossa identidade».

 

Mónica Sofia Lopes