O «Comunica-te Jovem» está a percorrer as oito freguesias do concelho da Mealhada, «com o objetivo de ouvir os jovens e integrar as suas opiniões nas decisões municipais na área da Juventude». Assistimos à quarta sessão, na localidade da Vacariça, onde os jovens se manifestaram sobre o 231 Fest, a Casa Municipal da Juventude, novas atividades que gostassem de ter no futuro e ainda sobre a Zona 231. Esta quarta-feira, 1 de abril, a iniciativa «desloca-se» para a Via Romana, em Casal Comba, a partir das 18h00, estando prevista a presença de um convidado.

Cerca de uma dezena de jovens, a rondar os 20 anos e divididos por grupos de trabalho, estiveram na Vacariça a dar o seu contributo para o que consideram ser o melhor no concelho para a área da juventude. No que toca ao Festival «213 Fest», que se realiza anualmente na Quinta do Murtal, Mariana Mendes, de 23 anos e residente na Antes, defendeu que o evento deveria acontecer durante três dias: sexta-feira, sábado e domingo. «Chegámos à conclusão que o Parque da Cidade seria o melhor local, por estar mais afastado das habitações e assim não causar tanto barulho», disse, acrescentando que, no que toca aos bilhetes, «as entradas deveriam ser gratuitas e só no aproximar dos horários dos concertos noturnos a

ser cobrada. Os jovens da Mealhada deveriam ter um desconto». Padre Guilherme e Plutónio foram duas sugestões para um próximo cartaz.

 

Para a Casa Municipal da Juventude, que se situa em Ventosa do Bairro, Gabriel Figueiredo, de 29 anos e residente em Luso, lamentou «o edifício estar deslocado no sítio onde está». «Poderia transformar-se isso em algo móvel ou, a manter-se ali, ter um autocarro que possa lá levar os jovens», disse, acrescentando que os horários do espaço devem cingir-se «ao final do dia, durante a semana, e aos fins de semana». O espaço deveria ter, na opinião dos jovens, «um estúdio criativo para trabalhos manuais, uma zona de convívio para ver jogos, uma zona para comida e um espaço exterior». «A sua utilização deve ter um valor simbólico que ajude na sua manutenção», rematou Gabriel Figueiredo. Para novas atividades futuras, os jovens anseiam por «uma associação juvenil de âmbito concelhio; um clube de leitura; “workshops” de fotografia, mas também de carpintaria e cestaria, saberes que se vão perdendo no tempo; um clube de running; e atividades ligadas à saúde mental e sustentabilidade ambiental». «Destacou-se o programa Erasmus+ como muito importante, acrescentando que deve haver algo que tenha alguma relação com o mercado de trabalho», destacou Filipe Miranda, de 29 anos, da Mealhada.

Sobre a Zona 231, um projeto municipal que engloba os jovens sobre os programas e iniciativas que lhes são dirigidas, Iara Pratas, de 26 anos, de Barcouço, destacou que «o projeto “Comunica-te Jovem” precisa de uma maior divulgação através de informações em cafés, escolas e ginásios». Na opinião deste grupo, «o “Bootcamp Embaixadores da Sustentabilidade” deveria ter continuidade, ser alargado a outras áreas e não ter ficado limitado à compostagem». Os jovens sentem ainda falta de iniciativas que abranjam áreas como literacia financeira e jurídica, saúde mental e suporte básico de vida, por exemplo.

Presente em todas as sessões tem estado Nuno Veiga, vereador da Juventude na Câmara da Mealhada, que destacou a importância de envolver os jovens no processo de decisão. «Compete-nos tomar decisões, mas elas devem ser orientadas com os vossos contributos. Só ouvindo a vossa voz podemos decidir de forma mais consciente, responsável e ajustada à vossa realidade», esclareceu.

 

Mónica Sofia Lopes