Alguns munícipes da Urbanização do Choupal, na cidade da Mealhada, deslocaram-se à reunião quinzenal do executivo camarário lamentando o barulho causado pela Tenda do Carnaval (instalada no estacionamento junto à obra do novo edifício da Autarquia), durante duas semanas, que, este ano, alegam ter tido «o som mais intenso». Contactada pelo nosso jornal, a Associação do Carnaval da Bairrada explica que o facto «de a Tenda ter sido maior e o palco ter ficado mais próximo da Urbanização» pode ter feito a diferença. Já a GNR avança que não tem forma de medir os decibéis, cabendo-lhe a responsabilidade de fazer cumprir as licenças de autorização do evento e os horários.

«Venho aqui fazer um apelo ao bom senso em relação à localização da Tenda, que fica numa zona de maior densidade populacional da cidade e, obviamente, que isso traz transtornos. O volume do som é mesmo muito incomodativo e as nossas casas abanavam», referiu Rui Nogueira, um dos moradores nas imediações da Tenda, afirmando que «os horários também deixam a desejar, uma vez que o espaço começa a funcionar quando nos vamos deitar e para quando estamos para acordar».

Palavras corroboradas pela moradora Patrícia Magalhães que declarou que «antes do Carnaval, tivemos uma semana de ensaios das escolas de samba», mas que foi a noite de segunda para terça-feira de Carnaval que mais transtornou: «Foi um inferno e liguei para a GNR oito vezes».

António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, disse ser um tema que «nos preocupa, até porque parece que o ruído este ano não foi igual». «A Autarquia passa as licenças especiais de ruído e autoriza o espetáculo, mas depois cabe às entidades de segurança ver se está ou não a ser cumprido», afirmou o edil, concordando que «a localização da Tenda tem que ser alvo de uma discussão interna». O autarca confirmou «ter havido mais queixas do que o habitual, tendo havido um ruído que parece não ter sido o habitual», informando que «temos que avaliar com a ACB e também com os empresários de bares e cafés».

Para a oposição, vereadores eleitos pelo Partido Socialista, «a localização da Tenda deve salvaguardar a qualidade de vida dos munícipes». «Acho que licenças até às 6h00 se tornam num período muito longo e fico surpreendida se a GNR não tiver um medidor de som», declarou Paula Borges, parafraseando a declaração de um dos moradores. Da mesma bancada, João Cidra sugeriu «que seja desenvolvido um projeto, para este fim das festas noturnas, nos antigos edifícios do IVV».

Contactado pelo nosso jornal, Márcio Freixo, presidente da direção da ACB, explicou que, em 2026, «o som teve melhor qualidade, até porque fizemos investimento a esse nível». «As frequências baixas, que são as que fazem barulho, estavam controladas», garantiu, indicando, contudo, uma possível causa para o barulho mais intenso: «A Tenda estava mais comprida e o palco mais perto da Urbanização. Talvez isso tenha trazido um impacto maior». Por outro lado, o dirigente garante, por exemplo, que «na semana de ensaios, todos acabaram às 23h00, sendo certo que às 22h00 já tínhamos queixas» e que «é preciso também olhar para o ruído dos estabelecimentos e não só para o da Tenda».

Do Destacamento Territorial de Anadia da GNR, o capitão Mário Ferreira explica que a esta entidade cabe «fiscalizar as licenças no que toca aos horários. Recebemos a queixa e vamos ao local. Vemos quem é o organizador e se tem ou não licença». «Ao nível de controlo dos decibéis de som, não temos essa capacidade», rematou.

 

Mónica Sofia Lopes