As obras no Centro de Saúde da Mealhada já começaram e, desde a semana passada, esta unidade de saúde funciona, com alguns serviços, em contentores instalados na mesma zona. Com as condições climatéricas que se têm feito sentir, nos últimos dias, muitos têm sido os munícipes a partilhar vídeos e fotografias que mostram alguns utentes na rua, em condições precárias, enquanto aguardam consultas. Deputados do PS e PSD querem uma assembleia extraordinária da assembleia municipal e António Jorge Franco, presidente da Autarquia, corrobora que «a situação não está bem», mas afiança estar no terreno com as equipas, «a analisar as melhores soluções».
Começaram as obras no Centro de Saúde da Mealhada e perto do edifício foram colocados contentores para dar resposta a alguns dos serviços. «Efetivamente esta é uma situação que não nos agrada. As obras criam constrangimentos, as condições climatéricas não ajudaram e as soluções temporárias também podem sofrer ajustes, que é precisamente o que estamos a fazer. Estamos no terreno a minimizar o problema», declarou, ao nosso jornal, o presidente da Autarquia da Mealhada, explicando que «já está a ser fabricada uma estrutura» e que estão também «a analisar a colocação de uma tenda gigante em tempo recorde». Apesar disso, confessa, «ser uma situação nada agradável para a qual estamos a dar a cara e a arranjar uma solução».
O autarca recordou que os serviços do Centro de Saúde não estão somente em contentores, mas também na Extensão de Saúde de Barcouço, no Espaço Inovação e na Câmara Municipal. «Tudo foi feito em consonância com os nossos serviços e os da unidade de saúde», enfatizou, relembrando «a necessidade da obra no Centro de Saúde» e o facto «de o primeiro concurso ter vindo deserto». «Perante isto, e como o PRR permite ajuste direto, contactámos alguns empreiteiros para saber o porquê de se não se terem candidato e aquele que acabou por ficar com a obra, alertou logo que não queria uma empreitada faseada, tinha que ter o edifício todo para poder trabalhar à vontade». «Como também não havia contentores disponíveis, ele conseguiu arranjar estes», acrescentou, garantindo que, sendo uma obra financiada pelo PRR, «terá que cumprir o prazo estabelecido e entregá-la até ao próximo mês de junho».
Para o PSD Mealhada «o que se vê é uma sucessão de improvisos: contentores, depois tendas, agora profissionais obrigados a usar capas de plástico para encaminhar utentes à chuva e ao frio». Já para o PS Mealhada «importa questionar se houve um esforço real para identificar outros edifícios na freguesia ou outras infraestruturas temporárias com melhores condições, que pudessem acolher o serviço com a dignidade necessária».
Em simultâneo, estão também a realizar-se obras na Unidade de Saúde Familiar Caminhos do Cértoma na Pampilhosa. «Novamente, em coordenação com os serviços de saúde, fizemos logo a distribuição dos espaços, que estão a funcionar no Mercado da Pampilhosa e nas Extensões da Vacariça e de Luso», refere António Jorge Franco, sobre uma solução que o PS diz que «se ignora o facto de muitos dos utentes serem idosos e enfrentarem sérias dificuldades de mobilidade».
O assunto levou a que, na manhã desta sexta-feira, os deputados do PS e PSD tenham enviado um requerimento ao presidente da Assembleia Municipal da Mealhada, Carlos Cabral, a solicitar uma sessão extraordinária «com o objetivo de discutir e analisar com carácter de urgência a situação dos cuidados de saúde no concelho», que se vai realizar a 27 de janeiro.
Mónica Sofia Lopes




















