O dia oficial das comemorações é hoje, 27 de setembro, mas a história começou já a ser assinalada durante todo o dia de ontem, com a recriação da Batalha do Bussaco, nas comemorações dos seus 216 anos. Este ano, as cerimónias tiveram início na cidade da Mealhada, pela primeira vez, com o hastear das bandeiras de Portugal, Irlanda, Espanha, França e Reino Unido.

A história voltou a tomar conta do território da Mealhada, num programa que reuniu cerca de 240 recriadores históricos, de 17 grupos provenientes de cinco países europeus e se transformou num grande palco de memória e recriação histórica, evocando um dos mais importantes confrontos da Guerra Peninsular. Entre tropas apeadas, cavalaria, artilharia, uniformes de época, acampamentos e momentos de recriação, o público foi convidado – na manhã de ontem na Mealhada e à noite na vila de Luso – a viajar até setembro de 1810, quando as forças luso-britânicas, comandadas pelo Duque de Wellington, enfrentaram o exército napoleónico de Massena, aquando da Terceira Invasão Francesa.

A receção oficial aconteceu, pela primeira vez, na cidade da Mealhada, em frente aos Paços do Município. «Que o dia de hoje seja marcante para todos, mas principalmente para os mais de 200 recriadores», começou por dizer António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, explicando que «há mais de dois séculos que este território foi palco de um dos episódios mais marcantes da guerra peninsular». «Hoje, aqui, não temos guerra, mas partilhamos o que nos une. Que este momento de paz e união possa ir bem longe», continuou o autarca, levando o seu discurso para o que acontece atualmente em diversos territórios, onde as armas ainda são usadas para matar vidas. «Que o Bussaco continue a ser este lugar de memória histórica nacional, mas também europeia», enfatizou.

O público que assistiu bateu palmas à realização destas comemorações. «Em 1989 quando estive um ano na tropa pelo Batalhão de Infantaria de Aveiro, participei nestas comemorações. A verdade é que as recriações são algo que me entusiasmam e até já fui várias vezes a Almeida», disse-nos Luís de Oliveira, proveniente de Vale de Cambra, que veio passar propositadamente o fim-de-semana ao território para assistir a estas comemorações. «Já vim duas ou três vezes ao Museu Militar do Bussaco, mas a estas comemorações é a primeira vez. Até faltei ao trabalho para estar aqui hoje», disse ainda, explicando que só encontrou dormida em Mortágua porque «estava tudo cheio no concelho da Mealhada».

Da Vimieira, freguesia de Casal Comba, estivemos com Rui Mateus que nos confessou que «ao Bussaco, pela altura do 27 de Setembro, só fui duas, três vezes». «Este ano vou assistir a tudo e gostei imenso do que aqui vi na cidade. São comemorações e história do nosso país que devem ser preservadas», referiu, acrescentando que «desconhecia que o País de Gales tivesse participado nesta batalha. Estas iniciativas também são muito importantes para nos dar conhecimento ou recordar o que às vezes fica esquecido».

O Luso e o Bussaco voltam a assumir um papel central nas comemorações, acolhendo momentos de recriação que transportam o público para o ambiente vivido há mais de dois séculos. Na noite de ontem, o Luso viveu o cenário real do confronto de 1810, com um grande momento de recriação histórica, devolvendo as emoções noturnas do campo de batalha, das tropas e personagens que marcaram aquele episódio. Hoje, as cerimónias protocolares do Exército estão de regresso, pelas 10h00, ao terreiro do Obelisco, seguindo-se mais um momento de recriação com o assalto da coluna do marechal Ney ao local.

 

Mónica Sofia Lopes