A Silvã, freguesia de Casal Comba, no concelho da Mealhada, foi palco da devolução à Natureza de cinco juvenis mochos-galegos pelo Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens. A devolução, na sua maioria, foi feita pelas próprias pessoas que encontraram os animais, sendo que antes do respetivo lançamento ainda tiveram a oportunidade de os «batizar».
Na presença de quem salvou estes mochos – agora batizados de Fisi, Luna, Miosótis, Pepe e Loureiro (todos a pesar cerca de 150 gramas) -, mas também de utentes do Centro de Santo Amaro da APPACDM de Anadia e de alunos da Universidade Sénior CADES, o representante do CERVAS relembrou o trabalho que fazem na instituição. «Recolhemos animais selvagens, na sua grande maioria, mochos, ouriços, águias e cegonhas que são encontradas, feridas ou debilitadas», começou por dizer Ricardo Brandão, recordando que «estes animais não podem ser levados para casa porque a lei não permite».
O técnico do CERVAS, com sede em Gouveia, explicou ainda que, nestas situações, o ideal é chamar as autoridades sempre que se encontrar um animal deste tipo ou apanha-lo com total cuidado e levá-lo a um Posto da GNR. «Tentar capturá-lo para levar para casa pode significar atrasar a sua recuperação e trazer riscos sanitários e de perigosidade», disse ainda, informando que «Barcouço (também no concelho da Mealhada) é daqueles locais em que, com muita frequência, há cativeiro de animais selvagens, nomeadamente pintassilgos, gaias e águias, por exemplo».
Silvia Silva, residente na Lagoa de Maria, na Mealhada, já é o segundo mocho que encontra: se o primeiro fugiu do telhado, à partida com auxílio da progenitora, o segundo (capturado há cerca de três meses) deixou-se apanhar tal era a fragilidade. «Estava perto da saída de nossa casa, que fica à beira de uma estrada. Tentei não o assustar e pegar nele devagarinho, até porque tinha as gatas bem perto», contou-nos, explicando que o embrulhou no vestido e o levou ao Posto da GNR, que chama o SEPNA que, por sua vez, os transporta para o ICNF na Mata do Choupal, em Coimbra, seguindo só depois para as instalações do Centro de Recuperação em Gouveia. «Quase chorei por o deixar», confessou, ao nosso jornal, Silvia Silva, que foi logo informada nessa altura que seria contactada quando fosse a sua devolução à Natureza, o que aconteceu na semana passada. «Estou muito feliz, emocionada e até arrepiada», afirmou já depois do lançamento.
História semelhante para contar tem Gabriela Ferreira, funcionária municipal na Mealhada. «Trabalho no Estaleiro e um dia um colega chamou-me porque viu um animal caído, que muito provavelmente bateu num muro e se magoou», começou por dizer, recordando que pegou nele com as mãos – hoje, já sabe que o contacto deve ser feito jogando um pano para cima do animal-, meteu numa caixa e o levou à GNR. «Avisaram logo que me chamariam quando o mocho fosse libertado, mas eu liguei várias vezes, durante todo o processo, para saber o ponto de situação. Nos primeiros tempos fartei-me de pensar nele», diz-nos, entre risos. «Quando me telefonaram fiquei muito feliz, principalmente porque isso significou logo à partida que estava bem», rematou.
Marina e Carlos, residentes em Sernadelo, freguesia da Mealhada, encontraram o animal também à saída de casa e perto de uma estrada, no final do inverno deste ano e levaram-no de imediato também à GNR. «Quando nos telefonaram a avisar desta iniciativa, fizemos questão de estar presentes», congratularam.
Segundo dados do CERVAS, em 2026, entraram na associação quase 600 animais destas espécies protegidas, tendo sido devolvidas à natureza à volta de 360, numa área que abrange Guarda, Viseu, Aveiro, Coimbra e Leiria.
Mónica Sofia Lopes


























