O lusense Nuno Alegre publicou mais um livro, desta feita, uma obra bilingue intitulada «Bussaco 1810», dedicada ao turismo militar e à compreensão acessível da memória histórica da Batalha do Bussaco. «É um livro virado para o turismo, propositadamente pequeno, para que seja quase como um guia», disse o autor, aquando da apresentação da obra, enfatizando que «os turistas querem coisas práticas e de leitura simples do território. Neste até temos um mapa para se conseguir interpretar o território».
«A história do Bussaco está escrita, desenhada e pensada por muitas pessoas. Do ponto de vista científico, não há muito mais a desenterrar neste fenómeno que teve um episódio central», começa por dizer Nuno Canilho, a quem coube a apresentação do livro, que acrescenta que a obra «de forma direta e simples, vai debruçar-se sobre aquilo que não interessa aos académicos, mas nos interessam a nós».
Nuno Canilho recorda que «o Bussaco de 1810 era uma serra sem árvores, porque o fenómeno de arborizar só aconteceu depois» e, tendo como base o livro, questiona: «A 27 de setembro de 1810, e nos dias seguintes, morreram 2.300 pessoas. Onde ficaram esses corpos?». «Na Batalha do Bussaco houve seguramente várias valas comuns, que interessa saber onde estão, porque esse sítio merece ser valorizado», continua, acrescentando, que «é imperativo encontrá-lo e o Nuno teve a generosidade em começar essa investigação, dando hipóteses e levantando questões, que precisam de ser aprofundadas. A história, às vezes, não precisa de ser verdade, precisa de ser bem contada. Ainda há muito para desenterrar nesta».
Pedro Carvalho, o revisor do livro, corroborou das palavras, relembrando que as cinco obras de Nuno Alegre «levam-nos sempre a algum sítio», exemplificando que uma delas «localizou o Convento da Vacariça» e outra «uma eventual comunidade judaica». «Já alguém com responsabilidade pegou neste trabalho do Nuno e o investigou?», questionou retoricamente.
Presente na cerimónia, que contou também com a inauguração de uma exposição da Fundação Mata do Bussaco, esteve Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal. «Esta obra não é apenas um livro, mas um instrumento de valorização do território. A Batalha do Bussaco é um dos momentos decisivos da nossa história e é também um ativo turístico que é preciso explorar», referiu, enaltecendo que «esta obra vai contribuir para experiências turísticas mais ricas e melhor informadas, capaz de chegar a públicos diversos, nacionais e internacionais». «Iniciativas como esta são fundamentais», rematou.
Mónica Sofia Lopes


























