O projeto CompostaMe – Valorização de Resíduos Orgânicos, cresceu praticamente para o dobro em dois anos de atividade (balanço de março de 2025), com as ilhas de compostagem, distribuídas por todo o concelho da Mealhada, a serem reforçadas para acompanharem a crescente separação e recolha de biorresíduos. Num encontro informal sobre compostagem, que decorreu esta semana e onde estiveram utilizadores dos compostores comunitários, foi notório o desenvolvimento que tem tido e a dedicação por parte de quem os manuseia.
O concelho da Mealhada tem mais de meia centena de módulos a funcionar em cerca de vinte ilhas de compostagem por várias localidades, transformando assim os resíduos orgânicos (cascas, restos de pão, guardanapos e muitas outras coisas) em composto de qualidade para a agricultura. Segundo a Autarquia da Mealhada, «(as ilhas) vão sendo reforçadas onde há mais adesão da população, com o objetivo de melhorar a capacidade de compostagem e promover ainda mais a participação da comunidade».
Uma das aderentes é Ana Martins, que reside na Urbanização Alto de Santo António, na Pampilhosa, e que, desde a pandemia, começou, junto com um vizinho, a utilizar um terreno municipal para plantar algumas hortaliças e árvores de fruto. «Desde pequenina, no Minho, de onde sou, fazia compostagem artesanal, portanto, sempre liguei muito a estas áreas. Com a pandemia plantei naquele terreno muitas coisas, nomeadamente, tomates, alfaces, ervas aromáticas (salsa, coentros, cebolinho, manjericão, erva príncipe), morangos, tangerineira, limoeiro, ameixoeira e tamarilho», enumerou, explicando que iam «ao pinhal buscar terra», mas que esse composto «nada tem a ver com aquele que agora usufrui» deste programa camarário.
Quando soube das ilhas comunitárias, Ana Martins aderiu logo. «Eu já faço reciclagem de tudo, tendo esta oportunidade de contribuir para produzir composto, ainda melhor. Depois, eu vou ao pormenor, chego a abrir cápsulas de café para um bom aproveitamento de tudo», referiu, ao nosso jornal, acrescentando que «já por duas vezes utilizou o composto» desta ilha na Pampilhosa. «A Câmara avisa quando vai abrir e os vizinhos que pretendem vão lá buscar. Neste momento, já somos quatro com hortas e, da última vez, que abriram o compostor, a terra ficou toda lá», afirma, enaltecendo o facto «de cada vez mais, ver o número de utilizadores a crescer» na urbanização onde reside.
O projeto CompostaMe, implementado no Município da Mealhada em 2023 e financiado pelo Fundo Ambiental, representa um investimento de aproximadamente 67 mil euros e visa reduzir o volume de resíduos enviados para aterro, além de fomentar a economia circular. Recordamos que, em comunicado municipal, António Jorge Franco afirmou que só em 2024 o projeto retirou do aterro sanitário cerca de 22 toneladas de resíduos, que foram valorizados através do processo de compostagem. «A diminuição dos custos de tratamento, a produção de composto de qualidade e o fomento de práticas mais ecológicas são as grandes vantagens do projeto», destacou, apontando que «os resultados estão a ser muito significativos, com uma adesão expressiva da população», incluindo escolas e instituições locais, que já utilizam o composto gerado como fertilizante orgânico.
Texto de Mónica Sofia Lopes
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