Há vários anos que os utentes do Centro de Santo Amaro, de Casal Comba, da APPACDM de Anadia dão apoio aos peregrinos que passam, no mês de maio, em maior afluência, para o Santuário de Fátima. Se para estes jovens, de várias idades, a experiência é a de se ser «útil à sociedade», para quem passa, para além de um momento inspirador, «é uma marca, através de um abraço, que fica para a vida e que nunca se esquece».

Todos os anos o ritual mantém-se no Centro de Santo Amaro em Casal Comba. Os jovens preparam limonada, confecionam biscoitos, escolhem uma frase que imprimem em pequenos papéis e preparam-se para «os abraços mais sentidos». «Não se trata somente de religião ou de fé, trata-se de amor», garante a instituição.

Rui Pedro, de 31 anos; Anabela de Jesus, de 38; e Paulo Batel, de 45; foram três dos jovens que estiveram, durante uma semana, diariamente, junto ao Itinerário Complementar 2, na cidade da Mealhada, a dar apoio a peregrinos. «Estamos a dar apoio ao próximo e a ser úteis na sociedade. Muitas vezes vamos para oferecer um biscoito e os peregrinos apenas querem um abraço e a mensagem que temos», diz Rui Pedro, afirmando que «o melhor» é o facto de os peregrinos «se lembrarem de nós de outros anos».

Paulo Batel tem fé em Nossa Senhora de Fátima e a escolha desta instituição para residir, quando ainda morava nos Estados Unidos da América, não foi ao acaso. «Estou mais próximo de Fátima e gosto muito de estar aqui», diz, em lágrimas, garantindo que esta semana de apoio aos peregrinos «é a melhor do ano». Palavras corroboradas por Anabela de Jesus que garante sentir «orgulho em ajudar as pessoas» durante aqueles dias.

Para quem passa, estes jovens são como uma «inspiração» para os restantes quilómetros que faltam. «Há cerca de vinte anos que faço o caminho e muitos anos fi-lo sozinha. Há uns quinze anos, sentei-me, na zona da Mealhada, a ler uma mensagem da minha filha, na altura com sete anos, e emocionei-me muito. Estavam ali perto os meninos da APPACDM que me deram um copo de limonada, que apesar de quente, num dia de calor, nunca bebi nada na vida que me tivesse caído tão bem», conta Maria das Dores, de 52 anos, oriunda de Vizela, acrescentando que uma das meninas lhe tocou para dar um abraço, «algo que não esqueço até hoje».

Nesse dia, Maria das Dores seguiu caminho sem saber nada sobre aqueles meninos. «Foi através de uma mensagem que me deram e que coloquei no bolso que percebi mais tarde que se tratava de uma associação. No ano seguinte, quis dar um valor monetário, mesmo que pequeno, e no que sucedeu dei um pouquinho mais e deixei num envelope a um senhor de outra associação que estava no mesmo espaço onde eles costumavam estar. Segui caminho e qual não é o meu espanto quando vejo a carrinha deles estacionada em Sargento-Mor para me agradecerem. São coisas que nunca se esquecem», confessa, explicando que o contacto com a associação «prolonga-se durante o ano através de telefonemas ou videochamadas» e que, todos os anos, lhes oferece «pequenos terços».

«Enquanto houver Fé, que sejamos manifestadores da paz, de um mundo melhor!». Foi a mensagem de 2025, entregue aos peregrinos. «Antes de irmos para a rua, trabalhamos o que queremos fazer sentir nos peregrinos, falando sobre a fé, que, muitas vezes, para eles se reflete nas pessoas mais próximas. Eles sentem-se úteis em prestar esta solidariedade para com a comunidade, num momento tão marcante», diz Daniela Martins, animadora socioeducativa na instituição, acrescentando que do lado dos peregrinos a reação não se descreve em palavras. «Contactamos com pessoas de vários pontos do país, que guardam as nossas mensagens de incentivo e de coragem no telemóvel, o resto do ano. É sempre muito bom e caloroso o reencontro», remata.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de Fernando Simões