O projeto «Rocha de Sousa», cujos mentores são o Vítor e a Rita, começou, em 2022, na Pena, no concelho de Cantanhede, com cinco mil metros quadrados de vinha, que hoje cresceram para os 3,5 hectares em várias parcelas. O mote da marca é a viticultura sustentável, baseada nos princípios da agricultura biológica, «fazendo disto uma filosofia e estilo de vida», avança o casal. Após, recentemente, apresentarem, na Mata Nacional do Bussaco, o seu primeiro espumante bruto natural PetNat Baga Rosé 2023 – no mercado com apenas 111 garrafas numeradas -, em 2025 irão também receber o Certificado definitivo de Viticultura em Modo de Produção Biológico, que assim garante que os produtos produzidos «cumprem os parâmetros de qualidade de agricultura biológica da União Europeia».

Por serem pouco mais de uma centena de garrafas produzidas, não houve lugar a prova, mas o espumante da Bairrada fez parte do momento, tendo uma das garrafas sido abertas com recurso a um sabre, relembrando os tempos napoleónicos. Já no momento de se conhecer o PetNat Baga Rosé, o seu mentor, ao som de uma harpa, tocada ao vivo, entrou descalço, vestido de carmelita numa homenagem às origens da Mata do Bussaco. «Não vendemos vinho, vendemos uma experiência, porque o vinho também é um contar de histórias», começou por dizer Vítor Rocha de Sousa, de 33 anos, natural da Silvã, no concelho da Mealhada, explicando que o vinho por ser bruto natural «significa que não tem qualquer adição de açúcares e é feito pelo método ancestral».

Oriundo de uma família de agricultores e viticultores, o engenheiro agropecuário confessa ser «o primeiro da família a rotular vinho e a certifica-lo pelo Instituto da Vinha e do Vinho». «Não colocamos herbicidas nas nossas vinhas, que nos são disponibilizadas, e, por isso, ao beber um vinho assim, estamos a consumir um produto natural que até pessoas com alergias, por exemplo, o podem digerir», afirmou, acrescentando que por ser um vinho PetNat – cuja garrafa deve ser mantida ao alto – «quem quiser beber sem borra, bebe límpido, mas quem o quiser guardar, o vinho vai evoluir porque tem lá os sedimentos, as células mortas».

As garrafas têm uma gargantilha onde se lê «orgulhosamente produzido na região enoturística do Centro de Portugal», algo que Jorge Sampaio, vice-presidente do Turismo Centro de Portugal, congratula. «Há anos que peço às comissões vitivinícolas para sugerirem que se coloque nos rótulos das garrafas um cantinho onde se diga que o vinho foi produzido numa zona de enoturismo. Veja-se a quantos milhões de pessoas isto podia chegar. O Vítor teve a audácia de o fazer», defendeu, acrescentando algumas palavras à importância do enoturismo.

«Ninguém vai a lado nenhum só para beber vinho. Hoje o turismo vive de experiências, as pessoas querem ir a muitos mais sítios e viver todas as experiências ao máximo», enfatizou, exemplificando existir «um produtor na Bairrada que só em enoturismo gera de riqueza um milhão e meio de euros» e que «a Rota da Bairrada tem hoje um orçamento anual de meio milhão de euros». «Quem tem uma experiência agradável leva a “marca” e na hora de escolher um vinho num hipermercado é aquela que procura», rematou.

Guilherme Duarte, presidente da Fundação Bussaco, declarou que o vinho apresentado «é um produto natural, divulgado num espaço natural – Mata do Bussaco -, onde não se utilizam estimulantes nas plantas até porque é aqui que nasce a água de Luso».

 

 

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