A assembleia-geral da Associação do Carnaval da Bairrada, que se realizou a 10 de julho, terminou logo ao início do primeiro ponto da ordem de trabalhos, o da apresentação de contas, por exigência, de alguns elementos presentes, dos documentos que suportavam as «contas» e que não estavam disponíveis para consulta. Antes disso, Paula Gradim, vice-presidente da direção da ACB, apresentou a sua demissão, lamentando que a sua vontade – manifestada logo após o Carnaval de 2024 – não tenha sido levada em conta, mantendo-se, inclusive, o seu nome na conta bancária da associação.

A assembleia geral, agendada para esta quarta-feira, foi marcada com um mês de antecedência e na ordem de trabalhos estavam estipulados «a apresentação de contas; fecho do ano económico; eleição dos órgãos sociais da associação; e outros assuntos de interesse para a associação», mas a sessão foi suspensa pela presidente da mesa da assembleia-geral, Carla Carvalheira, logo após o início do primeiro ponto, depois de Álvaro Miranda, antigo dirigente da ACB, pedir «os documentos que suportam o orçamento e que têm que estar aqui».

Ainda foram distribuídas, por um elemento da direção, cópias relativas ao ponto das «Contas», mas Álvaro Miranda refutou que «o livro da contabilidade é obrigatório que esteja em cima da mesa para consulta de dados, devendo também o contabilista estar na assembleia, para o caso de existirem dúvidas». A presidente da mesa lamentou «não conseguir fazer a assembleia com normalidade», suspendendo os trabalhos e ficando de agendar nova assembleia, que, segundo podemos apurar, poderá ser feita dentro de noventa dias.

Antes da sessão ter início, Paula Gradim, vice-presidente demissionária da direção da ACB, pediu a palavra para «divulgação da sua carta de demissão, antes da apresentação de contas ou de qualquer outro assunto», lendo o documento que entregou «em mãos à presidente da mesa da assembleia geral, após três cartas à ACB devolvidas por morada errada, em março passado». A demissionária elencou um conjunto de situações para a sua decisão, nomeadamente, o seu pedido em 2023 «para que fosse colocada num cargo de menor responsabilidade por indisponibilidade pessoal». «A situação piorou nos preparativos do último Carnaval em que, já praticamente nada sabia da Associação, mas as escolas manifestaram vontade em que fosse a representante da ACB no concurso de escolas de samba, tendo sido por estas que tive conhecimento de que “não era um elemento reconhecido pela ACB”», explanou Paula Gradim, informando o plenário que apresentou a sua «demissão logo depois do término do Carnaval e de cumprir com as funções que as escolas escolheram que eu tivesse». «A obrigação depois disto era ter sido convocada uma assembleia geral extraordinária, mas nunca houve uma diligência no sentido de formalizar a demissão e o meu nome permanece no banco até ao dia de hoje», lamentou.

Segundo o nosso jornal também conseguiu apurar, o ato eleitoral, previsto para esta reunião, não tinha listas na corrida, uma vez que teriam que ter sido entregues até ao passado dia 21 de junho, o que não se verificou.

 

Mónica Sofia Lopes