A recolha de resíduos continua a ser uma preocupação para o Município da Mealhada, por um lado alegando haver incumprimento da ERSUC, no que toca aos ecopontos; e, por outro, a falta de civismo dos utilizadores que colocam qualquer tipo de material nos caixotes de lixo comum.

«Os ecopontos geridos pela ERSUC estão completamente cheios, numa clara falta de incumprimento do contrato da empresa para com os Municípios. O que está a acontecer é uma péssima imagem», lamentou o presidente da Câmara da Mealhada, António Jorge Franco, na última reunião do executivo, referindo que «o Município da Mealhada fez um grande investimento no Porta a Porta» e, por isso, apela «a quem ainda não tem, que faça o pedido para ter o seu contentor e assim conseguirmos cumprir metas».

Para além disso, o edil explica: «Já percebemos que vai ser difícil ter uma resposta célere por parte da ERSUC, mas nós, na Mealhada, temos possibilidade de nos substituir à empresa porque temos duas brigadas constituídas no Porta a Porta. É só preciso que os munícipes adiram ao programa».

Na última reunião pública do mês de julho, Nuno Veiga, vereador com o pelouro do Ambiente, Águas e Gestão de Resíduos, afirmou que «Portugal não está a cumprir com as metas de reciclagem, incumprimento que custa ao país cerca de 20 milhões de euros» e que, no concelho da Mealhada, isso também é notório por todo o concelho, situação que levou mesmo o Município a promover uma campanha de sensibilização nas redes sociais intitulada «contentores novos, velhos hábitos», com a finalidade de alertar para a necessidade de alteração de comportamentos.

O vereador disse ainda que «a água no concelho da Mealhada é barata, o que é caro são as taxas do lixo». «Os contentores estão imundos porque as pessoas chegam lá e despejam o balde do lixo (sem os resíduos estarem acondicionados), o que faz com que em vez de serem precisas duas limpezas anuais, sejam necessárias quatro ou cinco», lamentou.

Palavras corroboradas por António Jorge Franco que garantiu que «cada vez que há limpeza dos contentores, é um custo que a ERSAR nos obriga a ter na fatura dos contribuintes». «Nós queremos o lixo tratado para não ir à tarifa. Façam compostagem, pois nós damos todas as condições para isso. Peçam-nos o vosso balde», enfatizou o autarca.

O mesmo lamento tem o Município de Anadia, cujo vereador José Manuel Carvalho, na última reunião do executivo, recordou que, no âmbito de uma candidatura, «foram entregues aos munícipes um baldinho com chip para abrirem os contentores de biorresíduos», informando que a taxa de resíduos colocada foi abaixo da percentagem nacional, que já é baixa. «Para além disso, quando chegavam à ERSUC estavam contaminados com resíduos impróprios para o efeito e quase na totalidade tinham que ir para aterro», referiu o vereador responsável pelo Ambiente, lamentando que «abrir contentores (do lixo comum) e ver que estão cheios de inertes, de verdes, é uma questão de civismo, de falta de civismo».

Sobre a recolha seletiva de biorresíduos, também Jorge Sampaio, presidente da Câmara de Anadia, garantiu ser «um processo que não correu bem em lado nenhum. A mentalidade das pessoas demora tempo a mudar e, apesar das imensas campanhas dos Municípios, as pessoas passaram a meter nesses caixotes do lixo tudo o que lhes apetece».

 

Mónica Sofia Lopes