O executivo camarário da Mealhada aprovou, por unanimidade, na manhã desta segunda-feira, a minuta do contrato de aquisição do Cineteatro Messias, por um milhão e 600 mil euros, valor dividido em duas tranches a serem pagas nos anos de 2026 e 2027. A minuta aprovada segue agora para o Tribunal de Contas e para votação na assembleia municipal da Mealhada.
A proposta prevê, e segundo um comunicado municipal, «a aquisição do imóvel à Sociedade Agrícola do Valdoeiro, pelo valor de 1,6 milhões de euros, repartido em duas tranches de 800 mil euros, a primeira das quais a ser paga já este ano, no momento da escritura pública, e a segunda até ao final de janeiro de 2027. A concretização da compra fica dependente da autorização da Assembleia Municipal e da obtenção do visto prévio do Tribunal de Contas».
Recordamos que, desde o ano 2000, o Município da Mealhada detém o direito de superfície sobre o imóvel. Decorridos os primeiros 25 anos desse contrato, já este ano, a Autarquia passou a suportar uma renda mensal de 4.730,34 euros, encargo que deixará de existir com a concretização da aquisição.
«É um grande espaço para o concelho da Mealhada e, para nós, esta aquisição representa uma decisão estratégica, que garante que este património permanecerá definitivamente na esfera pública e ao serviço da comunidade. Ao mesmo tempo, permite-nos deixar de suportar uma renda mensal e criar melhores condições para investir na valorização futura deste equipamento», declarou, na sessão pública, António Jorge Franco, presidente da Câmara da Mealhada, enaltecendo «a postura dialogante que a família proprietária do imóvel sempre teve. Aceitaram o pagamento faseado, de forma a mantermos também a saúde financeira da nossa tesouraria».
Para Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara da Mealhada, esta aquisição «tem muita importância para o posicionamento cultural do Município», recordando que, no ano de 2000, «o Cineteatro Messias estava em ruínas e foi o Município quem tornou aquele espaço como hoje está». «Honramos o passado, com os olhos postos no futuro», enfatizou.
Paula Borges, vereadora eleita pelo Partido Socialista, considerou «uma decisão positiva para o Município e que merece o nosso apoio», defendendo, contudo, que o contrato de concessão «foi feito há mais de duas décadas» e que «seria importante saber o investimento feito no edifício» durante esse período. Por outro lado, a vereadora da oposição defende que «importa olhar para aquilo que acontece depois da escritura. Se a propriedade plena do edifício permite candidaturas a fundos comunitários, devemos ter já algum planeamento». «O Cineteatro deve continuar a ser a casa da cultura. Que saibamos aproveitar a oportunidade», rematou.
Inaugurado a 18 de janeiro de 1950 por iniciativa do Comendador Messias Baptista e projetado pelo arquiteto Raul Rodrigues de Lima, o Cineteatro Messias é um dos principais símbolos culturais da Mealhada e um edifício de reconhecido valor patrimonial e arquitetónico.
Texto de Mónica Sofia Lopes
Imagem com Direitos Reservados




















