Chama-se «Renascer» e é o mais recente projeto da secção de Andebol da Casa do Povo da Vacariça, que tem levado, a um primeiro contacto com a modalidade, dezenas de crianças de diversas escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico no concelho da Mealhada. Um trabalho que pretende contemplar o clube com a atividade de outrora – há cinco anos tinha sete escalões jovens em competição – e que a pandemia acabou por suspender.

O projeto itinerante sai fora de portas da Casa do Povo da Vacariça e tem percorrido, nas últimas semanas, várias escolas por todo o concelho, a exemplo o Centro Escolar de Luso, Centro Educativo da Pampilhosa, Escolas Básicas de Casal Comba e Antes, abrangendo os alunos do primeiro ao quarto ano. «Há cerca de cinco anos, o Andebol tinha sete escalões jovens em atividade e mais de uma centena de atletas praticantes. Nessa altura, havia um grande trabalho de captação, que estamos a tentar recuperar agora», declarou, ao nosso jornal, Ricardo Sousa, coordenador de Andebol da Casa do Povo da Vacariça, acrescentando que o objetivo primordial da iniciativa «é o de dar a conhecer a modalidade de andebol, tentando captar atletas para o projeto».

Até à época de 2019-2020, o Andebol da Vacariça competia com uma equipa sénior masculina, outra de iniciados femininos e estava em processo de recrutamento para a Escola Mini Infantis. «Com a pandemia tudo foi interrompido e, em setembro passado, não tínhamos número de atletas suficientes. Neste momento temos já uma equipa de iniciados feminina e, para o ano, vamos ter equipa sénior», explica Ricardo Sousa, garantindo que «o objetivo a médio, longo prazo é, em cada época, acrescentar um escalão. A Vacariça tem todas as condições para isso».

Os escalões de formação do «Renascer» são a base do projeto e «é nisso que estamos a apostar para termos mais equipas no próximo ano». «Não podemos estar à espera que nos venham bater à porta, temos de ir ao encontro dos jovens», referiu ainda o coordenador de Andebol da Casa do Povo da Vacariça, elogiando o apoio «inexcedível» do diretor do Agrupamento de Escolas da Mealhada, Fernando Trindade.

Também as escolas aplaudem a iniciativa. «Muitos dos meus alunos andam no futebol e no hóquei, mas no andebol não anda nenhum, possivelmente porque desconhecem a modalidade», afirma Ana Paula Mamede, professora do 4.º ano no Centro Escolar de Luso, enaltecendo a iniciativa «onde, para além de aprenderem o andebol e as suas regras, ainda têm oportunidade de jogar em grupo, o que é muito bom para eles».

Ricardo e Eva, ambos de nove anos, estavam entusiasmados, na tarde da passada quinta-feira. Ele pratica futebol, ela dança. «Estamos a fazer coisas diferentes e está a ser muito divertido. Conseguimos aprender um bocadinho de andebol», confessaram, ao Diário de Coimbra. Eva garante até que já anda a pedir aos pais para ir para o andebol: «Jogo muitas vezes em casa dos meus primos, eles têm uma rede…».

 

Mónica Sofia Lopes