O Alegre Hotel, na vila do Luso, comemora, na próxima sexta-feira, 14 de maio, «90 anos de atividade em hotelaria e restauração». Fundado em 1931, por Maria Hermínia Rosa e Augusto Duarte Alegre, «foi desde então gerido pela família, que hoje se orgulha de chegar a esta bela idade como uma das mais marcantes unidades hoteleiras de Luso e Bussaco», sublinha o diretor do espaço, Nuno Alegre, que se congratula por, neste momento, as reservas começarem a fazer parte do dia-à-dia, depois de um longo período numa «travessia do deserto». «Para este fim-de-semana até já fechei datas em algumas operadoras. Estamos cheios», sublinha.

14 de maio de 1931 foi dia da Ascensão e a tradição «impunha» ser o dia dos negócios sazonais da estância termal na vila do Luso reabrirem depois de um longo Inverno sem turistas nem termalistas. 90 anos depois a história quer repetir-se, com o feriado municipal do concelho da Mealhada, conhecido pela «Romaria da Ascensão», a querer marcar o retorno à atividade hoteleira normal, depois de um ano complicado devido aos períodos agudos da pandemia por covid-19.

«Foi um ano difícil em que, em determinadas alturas, não tivemos um único cliente. O Verão foi bom, mas reduzimos muito a capacidade de ocupação, porque optamos sempre por os quartos ficarem em “quarentena”, 24 horas antes dos funcionários irem limpar e mais 24 horas antes do cliente entrar. Foi uma salvaguarda à saúde dos clientes e do nosso pessoal que correu muito bem, uma vez que não tivemos casos», explicou Nuno Alegre, garantindo que, neste momento, «os níveis de reserva estão a crescer muito próximo do que se seria de esperar para esta altura, sendo o Luso um destino sazonal». De Braga a Lisboa, os pedidos chegam de vários pontos para as próximas semanas. «Para os meses de julho, agosto e setembro as reservas estão mais tímidas, porque se sente ainda o medo das pessoas em arriscar marcarem férias ou visitas para um período tão distante», explica o diretor do Alegre Hotel.

Atualmente a unidade hoteleira, classificada como Hotel de 3 estrelas, continua a primar pela inovação e por acompanhar as tecnologias e o conforto contemporâneo sem descurar a responsabilidade histórica, uma vez que ocupa o antigo palácio do Marquês da Graciosa em Luso. «Este palacete construído em 1859 foi, desde 1889-1890, adaptado à função de hotel, por várias gerações de industriais de hotelaria dos quais se destaca o suíço Paul Bergamim, que depois de por lá passar, acabou por ser o fundador e primeiro concessionário do famoso Palace Hotel do Bussaco», explica Nuno Alegre, o mentor de um núcleo museológico dentro do Alegre Hotel, acessível aos clientes, e que contém «autênticas e raras antiguidades ligadas aos primórdios das viagens com motivação turística e ao conceito vitoriano de Globe Trotter».