A Câmara da Mealhada vai assinalar o Dia do Município, na próxima quinta-feira, 13 de maio, com a atribuição de Medalhas de Mérito Municipal a personalidades que se destacaram, nas suas áreas profissionais, da música à saúde, das forças de segurança ao meio académico. Beatriz Cortesão, harpista; Cláudia Emanuel dos Santos, investigadora e doutorada em Estudos do Património; Cláudio Lopes, capitão da Guarda Nacional Republicana; Luís Martelo, trompetista; Maria Alegria Marques, professora catedrática da Universidade de Coimbra; e Maria Anunciação Costa, delegada de Saúde do concelho da Mealhada, são os seis laureados este ano. A cerimónia decorrerá, às 11 horas, no auditório da Escola Profissional Vasconcellos Lebre.

«Desde 2016 que a Câmara assinala o Dia do Município, a quinta-feira da Ascensão, com o reconhecimento de pessoas ou entidades que se destacam nas mais diversas áreas da vida do Município. Em 2020, devido à pandemia, não se realizou a sessão solene, mas, este ano, a tradição volta a ser cumprida. Os contextos das distinções são diversos: o de pandemia, o cultural e o académico», lê-se num comunicado da Autarquia da Mealhada, que acrescenta que «no que respeita à luta contra a pandemia, a homenagem ao comandante do Destacamento Territorial da GNR, capitão Cláudio Lopes, e à delegada de saúde da Mealhada, Maria Anunciação Costa, visa reconhecer o apoio, a entrega, a dedicação de ambos, cada um na sua área, na luta contra a pandemia e em defesa das populações nestes quase dois anos de Covid-19».

Já na área da cultura, «são distinguidos dois músicos do concelho, ambos já com um cariz internacional. Beatriz Cortesão é uma jovem harpista que tem alcançando notáveis feitos no domínio do instrumento. No final de junho de 2019, conquistou o 1.º Prémio ex-aequo no IV Mark Rubin Moscow Open Harp Competition, que se realizou na capital da Rússia. Em novembro desse mesmo ano conquistou um lugar como harpista na European Union Youth Orchestra (EUYO), orquestra que integra desde a primavera de 2020 e cuja posição – neste restrito grupo – renovou em 2021, tornando-se membro efetivo. Luís Martelo é trompetista e foi, recentemente, galardoado com a medalha de bronze dos Global Music Awards (GMA), nos Estados Unidos da América, equivalente aos grammys para músicos independentes. Com o projeto a solo, intitulado “Chorando de Saudade”, alcançou o bronze na categoria “Melhor instrumentista do mundo 2020”».

Numa vertente académica, serão distinguidas Cláudia Emanuel dos Santos e Maria Alegria Marques. «Cláudia Emanuel dos Santos, natural da Vacariça, é investigadora e recebeu, há poucos dias, o Prémio Monografia em História da Arte com a obra “Os azulejos de Jorge Rey Colaço que decoram o Palácio da Justiça de Coimbra”. Já em 2011 tinha ganho o prémio SOS Azulejo», descreve o Município, que continua: «Maria Alegria Marques é professora catedrática da Universidade de Coimbra, distintíssima medievalista e, a par de uma carreira académica notável, tem prestado relevantes serviços ao concelho da Mealhada, nomeadamente quando conseguiu encontrar, em 2005, a cópia sobrevivente do Foral Manuelino de Vacariça e Mealhada, de que resultou a edição fac-similada do documento, em 2006, sob a sua responsabilidade científica no estudo do diploma e tradução paleográfica. Mais recentemente, em 2017, Maria Alegria Marques apoiou a Câmara Municipal da Mealhada e a Junta de Freguesia da Pampilhosa na organização da exposição de 12 documentos medievais, escritos em pergaminho – nomeadamente o da doação, feita por Gonçalo Randulfe e Telo Gonçalves ao Mosteiro de Lorvão, do lugar da Pampilhosa, em 1117, aquando das comemorações dos 900 anos da Pampilhosa».

 

Coligação abstém-se na proposta da Delegada de Saúde da Mealhada

As propostas foram todas aprovadas por unanimidade, exceptuando o nome de Maria Anunciação Costa, Delegada de Saúde do concelho da Mealhada, que obteve três abstenções por parte dos vereadores da coligação “Juntos pelo Concelho da Mealhada”. Hugo Silva justificou a decisão explicando ter ouvido Maria Anunciação Costa a proferir algumas palavras sobre si, aquando de uma reunião camarária através da plataforma zoom, numa altura em que o microfone estava ligado e audível para os restantes intervenientes. «Tive oportunidade de lhe mostrar o meu desagrado por escrito e, apesar do pedido de desculpas, abstenho-me relativamente ao seu nome neste reconhecimento», referiu o vereador, corroborado por Sónia Branquinho, que garantiu também abster-se «em solidariedade política».

Contactada pelo nosso jornal, Maria Anunciação Costa escusa comentar a votação, garantindo ter sido tudo esclarecido na altura, «pelo menos da minha parte», afirma.

 

Mónica Sofia Lopes