Daniel Louro. 37 anos. Natural do concelho de Anadia. Videógrafo de profissão, tem na fotografia e no cinema uma paixão, um amor que transformou num «hobby» peculiar. «The World is a Set» (O mundo é um cenário) é um projeto que coloca imagens de «frames» de filmes numa espécie de «moldura» da imagem desse local capturada nos dias de hoje. Confuso? Nós explicamos.

Daniel Louro nos Estados Unidos da América com a casa do “Sozinho em Casa” atrás.

São centenas de imagens de filmes que foram adaptadas pelo jovem bairradino. «Já tinha visto algumas contas de pessoas que tiravam imagens onde tinham sido gravadas cenas icónicas de cinema. Vi alguns exemplos e achei que podia fazer algo semelhante, mas com “alguma forma”», começou por explicar, ao Diário de Coimbra, Daniel Louro, acrescentando que em 2018, precisamente quando estava a planear uma viagem de um mês aos Estados Unidos, «fui “bombardeado” com aquele imaginário que conhecemos dos filmes de Hollywood, uma vez que grande parte do meu itinerário ia ao encontro de locais onde foram gravados filmes muito específicos».

«Foi precisamente aí que surgiu a ideia de não só tirar fotografia atual dos sítios, mas também recriar nessa fotografia o mesmo “frame” de algumas cenas de filmes», continua o jovem, garantindo que tenta sempre «fazer o “match” perfeito entre a realidade e a ficção». E é nas redes sociais, nomeadamente no Facebook – https://www.facebook.com/theworldisaset -, que Daniel Louro vai publicando o seu trabalho, que conta já com milhares de quilómetros «batidos». Hoje não há viagem que pense que não esteja associada a «cenários» para «matchs» perfeitos para serem publicados no «The world is a Set». «A própria visita e descoberta destes locais, obriga-nos a fazer percursos muito interessantes e a descobrir “tesouros” perdidos no meio do nada», confessa, sublinhando que nada é por acaso: «O próprio cinema já faz este trabalho de casa, já pesquisou, já selecionou e, por isso, é que muitas cenas são gravadas em locais tão interessantes».

Daniel Louro afiança que «embora a internet ajude muito, há um grande trabalho de pesquisa, que leva muitas horas», mas que não invalida que surjam imprevistos. «Já me aconteceu ter um rio pelo meio; encontrar sítios que não são acessíveis a pé; ou que impliquem muitas horas de caminhada. Não nos podemos esquecer que em muitas das produções de Hollywood os atores chegam aos locais de helicóptero», diz, entre risos, desvendando que «também há zonas completamente descaracterizadas, onde já nada é semelhante».

E.T.

À conta deste «hobby», em que o jovem bairradino não ganha nada monetariamente (antes pelo contrário), o «World is a Set» já chegou a ir ao Havaí para «enfrentar» a paisagem tropical e exótica do «Parque Jurássico», nomeadamente «a célebre cascata do filme». Mais perto, e aqui ao lado, Daniel Louro garante que, no ano passado, «correu muitos locais em Espanha atrás de sítios rodados na série “Guerra dos Tronos” e também no filme “Indiana Jones e a Grande Cruzada”». «Podia ir todos os fins-de-semana a Espanha que tinha sempre muitas coisas por descobrir», diz.

Também em Portugal, muitos são os locais escolhidos por grandes filmes internacionais, como é o caso de «007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade», com James Bond rodado no célebre Hotel Palace do Estoril; e também «A Casa dos Espíritos», no Alentejo.

No futuro, o videógrafo de profissão, tenciona passar pela Escócia, Islândia e Norte de Itália, mas também pela Jordânia e Nova Zelândia «por causa do “Senhor dos Anéis”». «Gostava que o meu projeto tivesse mais visibilidade para me incentivar a gastar mais tempo pessoal e assim fazer um trabalho mais completo», remata.

 

Fotografias estão todas documentadas

Jurassic Park

Todas as fotografias de Daniel Louro contam uma história. «Eu tento perceber a importância do local, a relevância que as filmagens tiveram naquela população, se houve aumento do turismo, se houve modificações na paisagem e que histórias têm as pessoas locais para contar sobre isso», descreve o jovem, exemplificando: «A “Casa dos Espíritos” foi, provavelmente, a produção com maior visibilidade que já tivemos rodada em Portugal. Foi filmada numa casa que está instalada numa planície do Alentejo, onde durante semanas filmaram mega estrelas de Hollywood. Foi uma grande produção que, com toda a certeza, teve impacto naquela zona e eu tenho uma grande curiosidade em ir atrás dessas histórias».

«Acho que gostava de publicar um compêndio de grandes filmes em Portugal. “100 locais em Portugal que foram usados em cinema”. Será que funciona? Terá interesse?», deixa no ar o jovem da Bairrada, garantindo que tem já «uma série de histórias» que documentam cada fotografia que captura.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Imagens com Direitos Reservados