O vice-presidente da Câmara da Mealhada, Guilherme Duarte, foi nomeado, na manhã de ontem, presidente da Fundação Mata do Buçaco, em regime interino e «pro bono». A decisão foi tomada por maioria com os votos contra dos vereadores da coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada» e o voto de qualidade do presidente da Câmara, uma vez que Guilherme Duarte se ausentou na discussão do ponto.

Guilherme Duarte assume a presidência da Fundação até que seja publicado o novo diploma relativo ao modelo de gestão da referida entidade, um documento que o Governo já prometeu rever e que introduzirá diversas alterações, nomeadamente no que respeita ao financiamento e aos órgãos sociais.

«Tomámos esta decisão para assegurar que não são feitas mais prorrogações acerca da presidência da Fundação e para dar um sinal ao Governo de que a reforma do diploma não pode ser mais adiada. Tenho indicação de que o diploma estará pronto daqui a dois meses, mas é preciso concretizar esta promessa e, até lá, era necessário acautelar a gestão da Fundação Mata do Buçaco», explicou o presidente da Câmara da Mealhada, referindo que o novo presidente assegurará a gestão corrente, numa altura em que a Mata está fechada, mas que, por exemplo, conta no terreno com seis trabalhadores florestais que continuam em funções de manutenção.

Rui Marqueiro sublinhou o facto de Guilherme Duarte já ser detentor dos pelouros de Gestão e Manutenção de Espaços Florestais e de Espaços Verdes no Município, enaltecendo a sua disponibilidade e clarificando que o facto de assumir a presidência em regime «pro bono» significa uma redução significativa de custos para a Fundação, que, por força da pandemia e restrições no turismo, perdeu a quase totalidade das receitas. «O atual presidente (António Gravato) representa um custo pesado para a Fundação, sobretudo quando se tem zero receitas, que é o que acontece desde março. Com exceção dos meses de julho e agosto, todos os restantes foram deficitários», lamentou o edil.

Guilherme Duarte substitui António Gravato, presidente da Fundação Mata do Bussaco desde agosto de 2014, que terminou o seu mandato em agosto de 2020.  Com a discussão do modelo de gestão suscitada pelo Município da Mealhada, António Gravato tem vindo a prorrogar o mandato, desde setembro passado, a pedido do secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território.

A nomeação de Guilherme Duarte para a presidência da Fundação não convence a oposição que considera que o vice-presidente da Autarquia «é o responsável pelos problemas que se continuam a fazer sentir no concelho na área da jardinagem», onde as soluções dizem ser de «algibeira». Por outro lado, defendem, que «nem neste mandato, nem no anterior, Guilherme Duarte nunca foi o elo de ligação entre o Município e a Fundação». «Faria mais sentido que fosse o senhor presidente a assumir o cargo», enfatiza Hugo Silva, afirmando que «esta indicação tem a ver com o futuro, mas mais político do que com o da Fundação».

A oposição votou também contra a atribuição de uma verba de 30 mil euros para fazer face à gestão da Fundação nos próximos meses. «A Fundação pede 13 mil euros para fazer face às despesas até ao final de janeiro. Não percebemos este valor de 30 mil, sem que tenha sido pedido», alegou Hugo Silva.

Rui Marqueiro explicou que «não haverá novo diploma antes de maio», o que fará com que tenha que ser o Município a dar apoio financeiro para a gestão corrente da Mata do Buçaco. «O presidente da Fundação deixará de sê-lo hoje, mas há obrigações a cumprir com esta finalização do seu vínculo», exemplificou ainda o autarca.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografia com Direitos Reservados