O grande acontecimento deste ano, que todos sabemos ser um ano muito caótico, veio acima de tudo afastar ainda mais as pessoas umas das outras. E é verdade que tivemos que recorrer a alternativas que, de uma forma ou de outra, facilitou a nossa interação, como seres necessitados de uma interação constante, mas certamente que não foi suficiente, faltou muita coisa, infelizmente.

Acabou por ser um ano que deu muitas dores de cabeça aos dirigentes de todos os países, uns mais afetados do que outros, porque não se tem preparado as estruturas governamentais e meios tecnológicos suficientes para o combate às surpresas desagradáveis. O que se verificou de uma forma clara é que era e é preciso um enorme melhoramento de políticas sociais mais robustas e voltadas para as famílias mais vulneráveis, o que poderá permitir uma melhor convivência com futuras surpresas desagradáveis.

De todas as decisões tomadas de forma a atenuar o impacto da pandemia, tomou-se pouco em conta de que era preciso combater as surpresas com medidas mais voltadas para as populações, onde as pessoas mais vulneráveis poderiam ter capacidade de desviar das maldades que o vírus continua a revelar.

O aparecimento da pandemia não surpreendeu, pois, doenças à escala mundial existem e continuam a existir entre nós. O que surpreendeu foram as medidas tomadas à pressa para combater a presença do vírus no nosso meio. E notou-se que as pessoas mais afetadas são aquelas que situam numa posição mais desfavorecida socialmente, o que acabou por ser visivelmente notada a vários níveis, desde perda de rendimento, falta de apoio consistentes, ausência de uma relação social e familiar que pudesse permitir combater o pânico…

Pensar que as questões relacionadas com a saúde só podem ser combatidas com as tecnologias médicas vão acabar por limitar a luta contra qualquer tipo de pandemia que venha aparecer. É crucial ter em conta que não estamos só perante uma pandemia, mas sim no meio de uma “Sindemia, uma sinergia de epidemias que partilham fatores sociais e coexistem no tempo e no espaço, interagindo entre si” como afirma Richard Norton – Diretor da Revista The Lancet.

É preciso, ante de mais, uma reconversão no combate a pandemia e não pensar que o futuro nos trará coisas desejosas se não trabalharmos para que assim seja. E para que o amanhã seja da forma como todos almejamos será preciso que tomemos escolhas certas que nos possam tornar mais próximos, física e/ou virtualmente, porque a interação é, sem dúvida, uma necessidade crucial que todos os temos.

 

 

Texto de Mamadu Alimo Djaló

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