Em ano de comemoração dos 114 anos da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada – a 15 de outubro – e no decorrer de uma pandemia mundial, a instituição não baixa os braços tendo, em julho passado, procedido ao lançamento da primeira pedra do novo Complexo Social que será construído nos terrenos onde agora se realiza o Mercado, na Póvoa da Mealhada. Ao Diário de Coimbra, João Peres, provedor da Misericórdia da Mealhada, lamenta que o projeto, «pensado há quatro anos», tenha «ao longo deste tempo todo esbarrado em muros intransponíveis da burocracia».

O futuro complexo incluirá uma Estrutura Residencial Para Idosos, serviços de Apoio Domiciliário e Centro de Dia (para 40 e 60 utentes, respetivamente), para além do edifício de serviços partilhados. Apesar do futuro edifício ter acordo para 100 idosos, a unidade residencial terá capacidade para 120 residentes, divididos em duas tipologias de habitação: quartos e apartamentos.

«Uma obra bastante grande» que, nos últimos quatro anos, «empancou na burocracia». «Papéis, carimbos, leis, alíneas e notas de rodapé, cuja rigidez intolerante – e, por vezes, incompreensível – nos obrigou a rever e refazer o projeto dezenas de vezes. Quantas mais revisões serão necessárias até termos máquinas no terreno?», questiona João Peres, garantindo que «a importância da missão da instituição a tem feito resiliente», mas confessando que o processo causa «desgaste». «É lamentável que este tipo de instituições estejam constantemente a ver os seus desejos de avançar serem gorados por uma vírgula, um “mas”, um capricho ou o “entendimento” particular de um ou outro técnico. Para estas entidades sociais as coisas deveriam ser mais facilitadoras e muito mais céleres», sublinha.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada espera «daqui a um ano já ver máquinas no terreno». «Muito em breve vamos remeter o projeto da obra à Câmara Municipal, partindo depois para o concurso que demorará sempre alguns meses», explica João Peres, garantindo que será dada «vida» aquela zona da Póvoa, uma vez que os serviços centrais da instituição ficarão todos concentrados naquele local.

Em tempos pandémicos é aliás para o sector da terceira idade que os esforços estão mais concentrados. «Felizmente não tivemos qualquer problema até à data, mas mesmo com os cuidados recomendados e mais alguns extras, não estamos livres de nada», diz João Peres, desvendando que, «no combate à solidão», está a ser pensada «uma pequena obra no Prolongamento do Lar, no jardim interno, para a criação de uma varanda coberta, permitindo que haja distanciamento entre utentes, mas com melhores condições de bem-estar».

«Estamos a tentar criar as alternativas que nos são possíveis para combater a solidão dos nossos idosos», afirma, relembrando que «em alturas recentes, ficaram coibidos de receber qualquer tipo de visitas». «Agora só com marcação e tem que ser sempre a mesma pessoa», explica João Peres, enaltecendo o trabalho «extraordinário» dos funcionários.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes publicado na edição impressa do Diário de Coimbra de 12 de outubro 2020