Criada em 2006, a Rota da Bairrada cresce a passos largos, tanto ao nível de associados (começou com 16, hoje são 110), como ao nível de turistas (de 2006 para 2018, o número de visitantes a Caves e Adegas quintuplicou). O projeto entende a região «como um todo», agregando o vinho, por exemplo, à restauração, à hotelaria e à gastronomia, sendo um dos grandes motores de divulgação e promoção da região. A preparar-se para a abertura de uma terceira loja, agora na cidade de Aveiro, a Rota tem em mãos o grande desafio de liderar, em conjunto com a Comissão Vitivinícola da Bairrada e os agentes económicos, o processo para a certificação do leitão.

O projeto da Rota da Bairrada começou a ser desenhado em 2003, com a necessidade de uma remodelação na Rota dos Vinhos da Bairrada. O primeiro grande passo foi, aliás, o de se tirar o termo «vinho» da denominação. «Ninguém vai a uma região só para beber vinho ou por causa dele. Tem que existir um conjunto de outros produtos associados, que chame pessoas e que estas sejam canalizadas para o vinho. Quando os visitantes procuram um produtor ou uma adega, a seguir querem almoçar, jantar ou até dormir», começa por explicar Jorge Sampaio, vice-presidente do Município de Anadia, autarquia que preside, atualmente, à direção da Associação Rota da Bairrada, defendendo que uma Rota «é acima de tudo uma rede em que há ligações de cooperação entre os vários agentes».

Outro passo importante dado pelo projeto, com mais de uma década, foi o de «não se cingir apenas aos municípios onde o vinho tem um papel mais preponderante, mas também ter connosco as cidades de Aveiro e de Coimbra, que são de extrema importância ao nível turístico». «Depois, fizemos alterações nos associados, “recebendo” não só os produtores, mas também os hotéis, restaurantes, Municípios e entidades como a Comissão vitivinícola da Bairrada e o Turismo Centro de Portugal», continua Jorge Sampaio, referindo que «nos primeiros quatro, cinco anos, sensibilizamos os nossos agentes económicos, nomeadamente, os produtores de vinho, para a necessidade, por exemplo, de se criarem salas de prova e horários para se receber turistas», seguindo-se «a promoção e divulgação» de um produto turístico estruturado.

A abertura do Espaço Rota da Bairrada, em 2010, na antiga Estação de Comboios da Curia, foi também um marco importante da Associação. «Quando entramos aqui, temos produtos dos oito municípios de toda a região. O mesmo acontece no espaço em Oliveira do Bairro, no da Vagueira (aberto só no Verão) e em todos os que viermos abrir no futuro», como acontecerá na cidade de Aveiro, também na antiga estação de comboios, um local que abrirá dedicado à Bairrada, aos ovos moles e ao sal.

E os números de visitação são a prova daquilo que estes locais representam na região. No espaço da Curia, de 2017 para 2018, há um crescimento de 11,9%, sendo a procura maioritariamente nacional, seguindo-se um número considerável de turistas oriundos de Espanha e do Brasil e começando já a aparecer visitantes provenientes da China, Holanda e Canadá.

E a pensar no futuro, a Rota da Bairrada tem agora em mãos um processo «difícil e duradouro»: o da certificação do leitão. «Por vontade de uma grande parte dos agentes económicos estamos, em conjunto com a Comissão Vitivinícola da Bairrada, a levar este processo para a frente», afiança Jorge Sampaio, garantindo que, brevemente, «serão dados passos importantes». «O leitão é o produto turístico mais importante da região, no sentido que é o que traz mais gente. Certificá-lo é dar-lhe ainda mais valor!», refere, consciente de que o processo «é duro, moroso e difícil, do ponto vista consensual», mas que «no final vai valer a pena!».

 

Mónica Sofia Lopes