A restauração na Mealhada continua a receber clientes vindos do teu país, numa altura em que a pandemia por covid-19 estabelece um conjunto de regras, que obrigou os estabelecimentos a readaptarem-se. A mais notável, e que afeta a faturação ao final de cada mês, é a redução do número de lugares no interior de cada restaurante.

O Rei dos Leitões, na Mealhada, aproveitou o encerramento do setor, por altura do estado de emergência, para aprimorar um serviço que já possuía: o «take away» e as entregas ao domicílio, tendo, nos últimos três meses, percorrido intensamente o país de norte a sul. «Fomos ao encontro dos nossos clientes fazendo com que o leitão da Mealhada chegasse a todo o lado», enaltece António Paulo Rodrigues, gerente do Rei dos Leitões, que garante ser um serviço «bastante procurado» e que «agora ainda faz mais sentido»: «Hoje estamos a fazer entregas no Porto e ontem fomos para Lisboa, nomeadamente, à Assembleia da República».

Sobre a reabertura ao público do espaço que gere, em meados de maio, António Paulo Rodrigues afirma que o maior impacto da pandemia «surge na faturação», fruto da redução de lugares no interior. «Não sentimos os clientes receosos até porque sempre tivemos cuidados acrescidos. Para nós a única diferença a tudo aquilo que se exige e que já fazíamos é a utilização da máscara», explica o gerente do Rei dos Leitões, um espaço que conta agora com uma esplanada maior com a finalidade de dar resposta à procura dos clientes cumprindo as regras estabelecidas pela Direção Geral da Saúde.

Com redução para 1/3 da lotação máxima do restaurante, Carla Carvalheira, d’O Castiço, considera que os clientes, mais do que o medo da infeção do vírus, «estão a retrair-se a nível financeiro». «Os meus clientes habituais, provenientes de todo o país, continuam a telefonar e a vir cá, mas, neste momento, sentimos falta dos turistas, não só nacionais, mas brasileiros e espanhóis que, nesta altura, já enchiam os restaurantes da Mealhada», lamenta a proprietária do restaurante, que sente que «as pessoas vivem um período incerto e estão com medo do que possa vir acontecer “amanhã”».

Com todas readaptações, que levaram a investimento financeiro, e com a equipa reduzida para metade, Carla Carvalheira garante que tem recusado serviços de eventos, numa sala própria para o efeito que o restaurante possui. «Numa perspetiva de responsabilidade social e de saúde dos nossos colaboradores e de quem nos visita, já recusamos um batizado e um convívio de antigos militares», afiança, garantindo que, neste momento, «os restaurantes serão dos locais mais seguros para se frequentar».

No Rocha, para além das medidas recomendadas pela DGS, «os colaboradores – 39 – tiveram formação específica para fazerem face ao combate à pandemia e o restaurante adaptou-se a uma nova realidade, havendo um circuito de entradas e saídas para que quem entre não se cruze com que sai». Joaquim Luís, da gerência do Rocha, diz que o setor «vai no sentido crescente» e que «as coisas estão a melhorar de dia para dia», contudo, «se durante a semana os lugares disponíveis chegam e sobram, ao fim de semana acabamos por não ter capacidade para receber toda a gente e muitos acabam por desistir!».

Com 85% dos clientes a preferirem leitão, Joaquim Luís declara que «as pessoas ainda vêm de propósito de Lisboa e do Porto só para almoçar ou jantar». «Apesar de sentirmos que estão apreensivas, a verdade é que se movimentam e começam a retomar os hábitos que tinham», remata.

 

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografia de José Moura