O atual diretor da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, Carlos Manuel Sousa, esteve na última Assembleia Municipal da Mealhada, que se realizou no auditório da EPVL, num gesto de «boas-vindas à comunidade», contudo, as últimas notícias que dão conta de despedimentos na instituição de ensino não foram esquecidas por alguns dos partidos com assento no órgão. Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, garante que «a escola nunca foi sustentável» e que, neste momento, a sua prioridade «é com a saúde das pessoas».

«Momento simbólico para vos dar as boas-vindas a um local que conhecem melhor do que eu», começou por dizer Carlos Manuel Sousa, garantindo que «a escola quer continuar a estar aberta e de braço dado com a comunidade». «Tudo farei para engrandecer o nome desta instituição, mas esse trabalho só se faz com as Juntas, Município, IPSS e todas as empresas que operam neste concelho. Em equipa vamos conseguir manter todo o trabalho que tem vindo a ser feito», disse ainda.

Mas para João Louceiro, eleito pelo PCP na Assembleia Municipal, «as boas vindas» foram uma «situação burlesca», relembrando «os trabalhadores dispensados», poucos dias depois da compra da escola por parte da GPS à Câmara da Mealhada. «A empresa considera que há gente a mais e eu pergunto se a escola terá sido encharcada, anteriormente, por trabalhadores que não eram precisos?».

Também para o Bloco de Esquerda, «a escola fez contratos “à la carte”», levando «a erros de gestão, que não acautelaram a sua sustentabilidade». «A corda partiu para o lado dos mais fracos», disse, referindo-se aos despedimentos.

Rui Marqueiro afiançou que «a escola nunca foi sustentável» e que viveu «à base de crédito». «Para a sua sustentabilidade era precisar colocar aqui um milhão de euros. Um, dois, três milhões de euros eu estou disposto a gastar pela saúde das pessoas», refutou, acrescentando que «se não houvesse a necessidade de defender a saúde das pessoas, não tínhamos vendido a escola».

O autarca recordou ainda que, em anteriores mandatos ao seu, nomeadamente de julho de 2005 a setembro de 2013, «a Câmara encaixou 742 mil euros em rendas cobradas à EPVL». «Nesta altura, a Autarquia não ajudou a escola a ser sustentável», lamentou.

O presidente da Câmara da Mealhada falou também no investimento grande que está a ser feito no combate à pandemia. «Cada rastreio custa-nos 20 euros e nós já compramos dez mil testes. Se numa primeira ronda (feita a sectores mais suscetíveis ao contacto com o vírus) quase tudo deu negativo, neste momento, aguardamos vários resultados de casos que tiveram uma ligeira aproximação ao vírus e até já temos pessoas em quarentena, depois de dias a fio sem nada», disse, enfatizando que «cinco mil testes custam 100 mil euros à Autarquia».

«Temos 20 mil habitantes e o grande problema é o de não sabermos quanto tempo vai durar a pandemia», afirmou ainda o autarca, garantindo que «em equipamentos de proteção individual, viseiras e testes, provavelmente o dinheiro da venda da escola já foi todo gasto na defesa da saúde da população». «Esperam-nos dias difíceis. Ou vem dinheiro da Europa ou Portugal é um país falido!», rematou.

 

 

Mónica Sofia Lopes