A comissão concelhia na Mealhada do PCP está preocupada, em concomitância com a posição – já manifestada no início do mês de junho – pelos presidentes da Câmara e Assembleia Municipal da Mealhada, da Junta do Luso e da Vacariça, bem como respetivas Assembleias de Freguesia, numa possível fusão das empresas da Central de Cervejas, da qual faz parte a Sociedade da Água de Luso. João Louceiro informou, inclusive, a Assembleia Municipal de que o PCP terá enviado um conjunto de questões ao Ministério da Economia, no passado dia 26 de junho.

«A SAL, pela importância da sua marca tem uma dimensão nacional e representa um ativo fundamental para a região que vai muito para lá da qualidade do seu produto. As Águas do Luso, reconhecidas internacionalmente, representam uma marca identitária do concelho e da região com impacto social e económico de valor incalculável e cuja permanência é vital para as populações», lê-se no requerimento enviado ao Governo pelo PCP, que questiona o Ministério da Economia se tem «conhecimento desta fusão»; se «está consciente da importância desta empresa para o desenvolvimento local e regional cujo impacto é decisivo para a sobrevivência de diversos setores de atividade económicos com particular destaque para o turismo»; e se «considerando a importância estratégica da marca “Águas do Luso” para o país e para a região da Bairrada, tenciona o governo intervir junto da multinacional para fazer valer o interesse nacional e evitar o desaparecimento desta marca?».

Na última Assembleia Municipal da Mealhada, que se realizou na noite da passada segunda-feira, também o lusense Raul Aguiar questionou «o que estava a ser feito para impedir que seja extinta a Sociedade da Água de Luso», recordando que «há já uns anos quiseram tentar mudar a sede social da empresa para Valongo», mas que «o presidente da Câmara, de então, lutou para que isso não acontecesse».

Declaração que levou Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, a informar que «a primeira coisa feita foi uma comunicação (assinada por vários autarcas do concelho) à Central de Cervejas onde manifestamos a nossa oposição a essa decisão e onde garantimos de que iremos usar de todos os meios para que isso não aconteça».

Recorde-se que, no passado dia 2 de junho, Rui Marqueiro, ladeado pela presidente da Assembleia Municipal e dos presidentes das Juntas e Assembleias de Freguesia da Vacariça e do Luso, realizou uma conferência de imprensa manifestando-se contra a referida fusão, que, disse na altura, «condena a SAL, põe fim a uma história com mais de 160 anos de ligação ao Luso, aos seus habitantes e ao concelho». O autarca recordou ainda que «há uns anos foi necessária uma grande operação de modernização, que implicou a deslocalização do engarrafamento do Luso para a Vacariça». «A Câmara apoiou esta decisão difícil, pois tratava-se de salvar a empresa e fazer com que fosse competitiva, e disponibilizou quatro quilómetros de vias municipais para as condutas transportarem a água do Luso para a Vacariça», sublinhou, lamentando: «E se a Vacariça pouco ou nada ganhou, o Luso perdeu muito».

Contactado pelo nosso jornal, Nuno Pinto de Magalhães voltou a enfatizar que nada tem a comentar «publicamente», acerca de «um projeto embrionário que ainda está em discussão interna e com “stakeholders”». «Muito estranhamos este “disclosure” público por parte da Câmara da Mealhada, que em nada poderá afetar os direitos e obrigações da SAL perante os seus colaboradores ou terceiros», remata.

 

Mónica Sofia Lopes