Os deputados do Bloco de Esquerda, eleitos pelo círculo de Aveiro, Nelson Peralta e Moisés Ferreira, enviaram algumas questões ao Ministro do Ambiente e da Ação Climática sobre o «estado de degradação e abandono da Mata Nacional do Buçaco». António Gravato, presidente da Fundação Bussaco, lamenta não ter acompanhado a visita dos deputados e relembra «o cenário de guerra» deixado, recentemente, pelas tempestades Leslie, Elsa, Fabien e Gloria, bem como a necessidade que existe, atualmente, «de se readaptar a Mata aos novos fenómenos».

Num comunicado enviado à comunicação social, os deputados do BE garantem que visitaram o Buçaco e que encontraram «vários sinais significativos de abandono e inação», onde, entre outros, destacam «a proliferação de várias espécies exóticas invasoras, particularmente acácias»; «o mau estado da cerca da Mata»; «a degradação dos caminhos de acesso em pavimento carmelita»; «a não plantação em vaso de plantas existentes no viveiro florestal e que já findaram o seu prazo útil» para o efeito; «a decomposição de madeira valiosa de cedro, que está amontoada, não tendo sido utilizada para necessidades da Mata ou vendida para garantir mais financiamento para as ações na Mata» e ainda «o risco de incêndio e de infestação por sementes, devido à floresta estar desordenada de monocultivo de eucalipto, logo após os limites da Mata».

Na última questão remetida ao Ministro do Ambiente, os deputados questionam ainda se «o Ministério considera que o modelo de Fundação, cuja vocação é gerir fundos, é o mais adequado para gerir uma Mata Nacional? Considera que o trabalho desta Fundação, cuja inação é visível no estado de degradação da Mata corresponde à missão de serviço público a que o Estado e a sociedade lhe atribuíram?».

Para António Gravato a visita «teleguiada remotamente» poderia ter sido «mais prestigiada e dignificada», se tivesse havido o tão reclamado direito ao contraditório, diariamente praticado na Casa da Democracia, ao invés da “queixa” ao Sr. Ministro e da divulgação da visão única, parcial e indiferenciada, divulgada à posteriori pelos meios de

comunicação social».

O presidente da Fundação divide a responsabilidade do estado da Mata com os «verdadeiros e temíveis opositores – Leslie, Elsa, Fabien e Gloria -, responsáveis há pouco mais de quatro meses de criarem um cenário de guerra, com todos os caminhos obstruídos, taludes desabados e um emaranhado de árvores caídas e enganchadas, que conferiram um aspeto desolador», situação, que garante estar «felizmente ultrapassada».

Gravato alega que «estes episódios meteorológicos, tender-se-ão a repetir cada vez com maior frequência» e que, por isso, a Fundação considerou ser «o momento crucial de se intervir na criação de uma infraestruturação global da Mata, oferecendo maior resiliência a todo o espaço florestal e edificado, intervindo sobretudo ao nível da beneficiação, regularização e compactação de toda a rede viária dentro e fora da Mata, na construção de aquedutos e passagens hidráulicas, gestão e correção torrencial de águas».

«Obviamente que a designada fase de mitigar e estancar os estragos causados pelas tempestades, praticamente concluída, obrigou ao desvio das ações previstas no Plano de Gestão Florestal, onde foi feita uma reprogramação, alterando de uma forma evidente, todos os pressupostos e linhas de gestão previamente estabelecidas», explica o presidente da Fundação, adiantando ainda que agora é preciso «definir um cronograma de ações, tendo em vista inicialmente um tipo de trabalho mais complexo de retirada e desobstrução de material de grandes dimensões (árvores e cepos), acautelando a preservação das outras árvores não afetadas, arbustos ou algum dos 140 edifícios existentes na Mata».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Imagem de José Moura