A Mealhada está a preparar-se para a possibilidade de haver um aumento de casos por infeção por Covid-19 que necessitem de cuidados médicos, numa altura em que o município apenas regista oito infetados. Naquilo a que chamam de «Gabinete de Crise», diariamente, presidente e vereadores com pelouros reúnem e estabelecem prioridades. Num cenário de maior gravidade o Pavilhão da Mealhada poderá albergar 50 camas para doentes com coronavírus e estão já a ser preparadas duas a três unidades hoteleiras que servirão para a deslocalização de pessoas das Instituições Particulares de Solidariedade Social que não estejam infetadas.

Educação, disponibilização de equipamentos de proteção individual e IPSS são as grandes preocupações do Município da Mealhada neste momento. «Em relação às IPSS a maior dificuldade, num caso extremo, será a deslocalização de pessoas e é isso que estamos a tratar nesta fase», explicou, ontem, Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, aquando da reunião pública municipal, que se realizou por videoconferência.

«Se necessário for, teremos disponíveis 50 camas no Pavilhão da Mealhada para doentes de Covid-19, numa espécie de hospital de campanha. A infraestrutura para além de estar situada no local mais central do concelho, tem a cozinha da Escola Profissional Vasconcellos Lebre logo ali ao lado», continuou o autarca, garantindo que vai ser iniciada, brevemente, a higienização, tanto do Pavilhão, como de duas a três unidades hoteleiras, que ficarão disponíveis para os utentes, devidamente testados e que estejam em boas condições».

Também esta semana se dará início à limpeza de estradas e passeios. «Inicialmente, aconselhados pela Direção Geral de Saúde, apenas fizemos limpeza, com água e lixivia, das entradas do Hospital, Centro e Extensões de Saúde, bancos e multibancos», referiu Rui Marqueiro, adiantando, contudo, que agora a Direção Geral de Saúde recomenda a desinfestação de ruas e que isso «vai já começar a ser feito», num trabalho adjudicado a uma empresa.

Sobre o material de proteção individual, o autarca garantiu que estão a ser disponibilizados equipamentos às cuidadoras das IPSS, e que, ainda ontem, iam buscar mais material à Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, aquisição que surge de uma central de compras.

Acerca da sugestão, por parte da coligação «Juntos pelo Concelho da Mealhada», de se «atribuir equipamentos de internet móvel e tablets compatíveis com estudo remoto a todas as crianças em idade escolar residentes no município para que no terceiro período escolar todas possam ter equidade de acesso à nova modalidade de ensino», Guilherme Duarte, vice-presidente da Camara, explicou que «neste momento, as despesas do Agrupamento baixaram muito, até porque as escolas não estão a funcionar, mas que as transferências mensais da Autarquia continuam a ser mesmas», valor que servirá para esse fim. «Para além disso, consideramos que esse processo de distribuição de material pelos alunos deve ser liderado pelo Agrupamento, uma decisão que entre hoje e amanhã deverá estar tomada», acrescentou.

Já sobre a isenção ou redução do valor de água, também abordada na sessão por dois munícipes, Rui Marqueiro afiançou que o Município da Mealhada está abaixo do valor que é exigível pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos e que a isenção pode não ser um «bom caminho». «Temos uma receita de água de cerca de cento e tal mil euros por mês e tomar essa medida era ter contra nós a ERSAR», defendeu o autarca. Apesar disso, o presidente da Câmara da Mealhada garantiu que «a água é um bem essencial, principalmente neste período de pandemia, e que não haverá cortes a ninguém».

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

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