Uma idosa, de 84 anos, oriunda da freguesia do Luso, no concelho da Mealhada, teve alta do serviço de Ortopedia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, na passada quarta-feira, tendo no dia seguinte sido internada nos Covões com uma pneumonia. A família já foi informada de que a senhora está infetada com Covid-19 e não consegue entender como é que a paciente foi mandada para casa com febre, tosse e dificuldades respiratórias.

Maria Rocha caiu e partiu a bacia, no passado mês de dezembro, tendo ficado internada nos Hospitais de Coimbra até finais de janeiro. «Regressou a casa, mas tinha um alto na perna», começou por explicar um familiar da idosa, acrescentando que «o sangue coagulou» e que, em fevereiro, «a senhora foi internada na Ortopedia dos CHUC para fazer uma drenagem», onde permaneceu durante um mês. «Apanhamos já a fase em que os doentes não recebiam visitas», explicou, ao nosso jornal, a mesma fonte.

Esta quarta-feira, Maria Rocha teve alta e foi transportada para a sua residência. «Qual não é o nosso espanto ao verificar que vinha cheia de febre, com tosse e muitas dificuldades respiratórias», lamenta a familiar, recordando que ligou para o serviço e que foi informada de que «a senhora estava bem quando saiu do hospital e para, no caso de termos dúvidas, ligarmos à Saúde24».

No dia seguinte, 26 de março, a médica de família foi a casa da idosa e diagnosticou-lhe uma «infeção respiratória grave com suspeitas de Covid-19», tendo no imediato sido transportada, pelos Bombeiros da Mealhada, para o Hospital dos Covões, em Coimbra, unidade que atualmente está praticamente confinada a doentes com o coronavírus.

Sem respostas, preocupados e depois de algumas insistências telefónicas, só no dia seguinte – sexta-feira – os familiares souberam que a idosa estava com uma pneumonia, «mas que não sabiam a origem». Já na manhã de sábado – e novamente depois de alguma insistência – a família tomou conhecimento de que o teste ao Covid-19 tinha dado positivo e de que seriam contactados, posteriormente, pela Delegada de Saúde.

«Teve alta, infetada com o Covid-19, e em casa teve contacto com filhas e o marido, de 85 anos de idade com problemas cardíacos. Muitas destas pessoas estiveram depois em contacto com outros familiares próximos e, por isso, estamos extremamente tristes de terem dado alta a uma pessoa de risco com probabilidade de infetar outras pessoas», lamentou a familiar com quem falámos que nos garantiu que a linha de Saúde24, depois de contactada, recomendou aos familiares «a desinfeção da casa, lavar constantemente as mãos e medir a febre várias vezes ao dia».

Ao final da tarde de ontem, domingo, os familiares não tinham informações sobre o estado de Maria Rocha, apesar das inúmeras tentativas de contacto para o serviço de enfermaria. «Estamos tristes com o facto de estar infetada, mas entendemos que estando num hospital, e dadas as circunstâncias, isso podia acontecer. O que nos indigna é ter tido alta, com um quadro de pneumonia, correndo o risco de contagiar outras pessoas», enfatiza a familiar com quem o Diário de Coimbra falou, concluindo: «Estamos fechados em casa há 15 dias e o vírus veio bater-nos à porta…».

A família garante ir proceder a uma queixa formal à Entidade Reguladora da Saúde, à Administração Regional de Saúde do Centro e ao CHUC. Também o Diário de Coimbra tentou um esclarecimento por parte da assessoria dos CHUC, mas, até ao fecho da nossa edição, não foi possível de o obter.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Imagem de sabinevanerp (https://pixabay.com/pt)