A última Assembleia Municipal da Mealhada foi descentralizada para a localidade de Barcouço, com a população da freguesia a “encher” o salão do Centro Paroquial, na noite da passada segunda-feira. Na base da “romaria” esteve essencialmente a supressão, há cerca de um ano, da carreira da Transdev em Barcouço, medida justificada pela empresa pela falta de rentabilidade, mas que a população continua a reivindicar. O problema poderá vir a ser solucionado depois da adjudicação de um concurso público internacional no sector dos transportes, promovido pela CIM Região de Coimbra, que, a pedido da Câmara da Mealhada, contempla a carreira 74.40.

“Se os meus filhos não tivessem tirados os cursos antes, certamente já não os tiravam”, começou por dizer Anunciação Lopes Ferreira, inconformada com a falta de transporte público com destino à cidade de Coimbra. “Estamos aqui trancados. Isto é uma vergonha!”, lamentou.

Rui Marqueiro, presidente da Câmara da Mealhada, começou por explicar que “os transportes em Portugal estão sujeitos ao regime de concessão, com direitos e obrigações, tendo a empresa Transdev, em função da fraca rentabilidade da carreira 74.40, cancelado a linha que chegava a Barcouço”.

“Concordo que me diga que isto é uma injustiça”, continuou o autarca, adiantando que o setor dos transportes está atualmente na competência da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra e a ser alvo de um concurso público internacional. “Este concurso, que abrange vários municípios da região, contempla a carreira de Barcouço, que foi suprimida pela Transdev em concordância com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes”, acrescentou o edil, enfatizando que “após a adjudicação do concurso, a ‘linha’ será reaberta e nem que não tenha um único passageiro, nessa altura a linha só poderá ser suspensa com autorização do Município e não do IMT”.

Mas sobre isto, Agostinho Coelho Ferreira, residente em Barcouço, questionou o tempo de demora do concurso. “Já em novembro de 2018, o gabinete do senhor presidente respondeu a um email de um munícipe alegando que o assunto dos transportes ia ser alvo de um concurso internacional. Não é estranho que ao fim de um ano tenhamos aqui a mesma resposta?”, refutou o munícipe.

Rui Marqueiro relembrou que “o concurso internacional tem as suas regras com implicações em toda a União Europeia” e que espera que “não venha a ter nenhum entrave”. “Espero que corra bem, porque em Viseu já vão no segundo”, lamentou.

O tema foi também alvo de uma proposta de recomendação, à Câmara da Mealhada, por parte do Bloco de Esquerda, em defesa da “implementação de transporte público de qualidade”, que foi rejeitada pela maioria dos deputados. “Seria um contrassenso votar favoravelmente depois da explicação que nos foi dada anteriormente”, declarou a deputada Paula Coelho. Também Luís Brandão explicou a abstenção da bancada pelo facto de “os transportes estarem, atualmente, a cargo da CIM e não do Município”.

 

Texto de Mónica Sofia Lopes

Fotografias de José Moura