Na verdade nunca voltamos a consumir. As nossas ações diárias são elas próprias dignas de consumo permanente. Neste caso, não voltamos. Mas sim, continuamos…

Desde que nascemos, consumimos. Crescemos e continuamos a consumir cada vez mais e em todos os momentos do dia. Pode parecer bizarro, mas o vento que bate na nossa cara é fruto do oxigénio que respiramos, logo, estamos a consumi-lo. As vozes que ouvimos são automaticamente um ato de consumo.

Subjetivamente, somos grandes consumistas. Toda a energia que nos mantém vivos é a razão primordial do consumo que efetuamos a cada instante. Em termos objetivos, vemos o consumo como atividade que nos leva a adquirir, utilizar ou destruir bens ou serviços. Infelizmente, não temos todos a mesma capacidade económica para adquirirmos um determinado bem ou serviço.

Todavia, há especificamente uma altura do ano, em que, praticamente todas as famílias, empresas e ou agentes económicos procuram de certa forma consumir mais ou aproveitar a procura para maximizar o lucro. 

A época natalícia é toda ela embrulhada em grandes preocupações familiares, positiva ou negativamente. Mas a altura em que mais se acentuam os consumos abusivos, ou seja, de aquisição de bens ou serviços, é entre o final de novembro e o princípio de dezembro. Alguns sentem o “bichinho” constantemente a mexer e a pedir mais e mais consumo ou mais e mais lucro. Outros nem por isso, porque a sua capacidade financeira não permite nem o mínimo de “luxo”. O que ganham só chega para manter a energia que lhes permite um consumo constante daquilo que a vida oferece e não daquilo que vão à procura, através da compra.

O dilema continua a ser o mesmo. Por um lado, existem pessoas conscientes que procuram a todo custo adquirir bens ou serviços para partilhar com os que mais precisam e outras que só se preocupam com as suas necessidades e nem olham para o vizinho. Por outro lado, também se encontram pessoas que lutam diariamente para continuar a manter a força que as mantém vivas. Outras há que nem esta força conseguem ter, mas ainda assim resistem e continuam a consumir o que o Universo lhes dá.

 

 

Poema de Mamadu Alimo Djaló

Estudante de sociologia na Universidade do Algarve

Antigo aluno de Técnico de Restauração, Cozinha e Pastelaria na EPVL

Imagem de capa: https://pixabay.com/