Manuel dos Santos, presidente da Associação da Juventude Portuguesa do Atlântico, defendeu, no passado dia 22 de novembro, na Mealhada, que a defesa portuguesa está garantida pela aliança transatlântica de segurança coletiva NATO e não pela defesa militar do país. A declaração foi feita para uma plateia, maioritariamente de jovens da Escola Profissional da Mealhada, aquando da conferência “A Defesa Europeia”, promovida pelo Centro de Informação Europe Direct Região de Coimbra, que se realizou no Espaço Inovação.

O encontro na Mealhada surge de um ciclo de conferências denominado “Futuro da Europa”, que visa informar e esclarecer sobre temáticas europeias como a defesa, a politica regional e o quadro financeiro. Na sexta-feira, o foco foi para “A Defesa Europeia”, uma temática que gerou algum debate, moderado por João Luís Campos, diretor adjunto do Diário de Coimbra, que elogiou o papel “importantíssimo” deste tipo de iniciativas, “sobretudo quando se fala em abstenção, concretamente no que diz respeito a eleições europeias”.

No seu discurso, Manuel dos Santos, presidente da associação que dedica a sua missão aos temas da Segurança e da Defesa do espaço Atlântico, com vista à promoção de uma maior consciencialização e conhecimento das relações transatlânticas na sociedade civil, assim como da importância da NATO enquanto organização de segurança coletiva, afirmou que “a Europa tem que começar a pensar muito bem nas suas capacidades militares”, assim como “garantir a defesa dos seus valores: democracia, liberdade e segurança”.

“Sem defesa e sem efeito dissuasor, correremos muitos riscos! Precisamos fazer esforços para manter os valores ocidentais”, enfatizou Manuel dos Santos, esmiuçando o caso português, onde a defesa é “esquecida”, em detrimento de outros problemas, como os da saúde, finanças, desemprego e educação. “Tenho receio de que um dia, por força da necessidade, tenhamos que olhar a sério para a defesa militar. Devemos precaver esse momento!”, disse ainda, recordando que o número de militares das Forças Armadas “é baixo”. “Temos que arranjar soluções para alterar isto, até porque o ‘feedback’ da presença portuguesa lá fora é sempre muito positiva”, enalteceu.

A plateia, com dezenas de alunos da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, foi atenta e quis saber mais sobre os problemas da atualidade, nomeadamente o do Brexit. Felipe Pathé Duarte, professor auxiliar convidado no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna e na Universidade Autónoma de Lisboa e comentador para assuntos de segurança internacional na RTP, garantiu que “a dificuldade de circulação será cada vez maior e claramente mais difícil”, acrescentando ainda que o Brexit surge de uma “relação umbilical do Reino Unido com os Estados Unidos”, numa mentalidade inglesa que considera que “não precisa de Bruxelas para nada”.

 

Mónica Sofia Lopes